Há momentos que são longas histórias, pois seguem um interminável processo de construção. Após seis anos de curso, torna-se médico; após quatro anos de faculdade torna-se jornalista. Quando a pessoa se torna escritora? Não basta saber ler e escrever para que assim possa ser chamada. Os mais rigorosos conhecedores da alta literatura resistem em se autodenominar autor, mesmo após publicações. Há 22 anos escrevi meu primeiro livro, “Segurando a hiperatividade” e Waldir de Pinho Veloso foi quem primeiro me considerou escritora. Dedico-me a ler e a escrever com total comprometimento, fazendo revisões e, após cinco livros autorais, e mais de 40 participações em antologias, os livros coletivos, eis-me Presidente da Academia Montes-clarense de Letras. Após quatro anos como secretária e depois vice-presidente na gestão anterior, fui indicada pelo ex-presidente Edson Andrade e aclamada em Assembleia Geral. Dia 22 de janeiro foi minha posse, ocorrida no auditório do Centro Cultural Hermes de Paula, em noite chuvosa, sendo crivada pela emoção. Senti-me afagada por gentis palavras, especialmente as de Míriam Carvalho, que, com sua delicadeza natural, contou-me como eu sou. Também aspirei o perfume de rosas vermelhas que me foram ofertadas. Foram abraços, falas de confiança, incentivo e fotos, que até se formou uma fila. Fui cativada por esse público de amigos, cuja presença tão bem me fez. Sentada ao centro da mesa de honra, ornada com bela toalha bordada, no chão em frente um imenso arranjo de flores de várias cores, entre rosas e flores do campo, ladeada por autoridades tão próximas, tão talentosas, tão queridas, estava no palco, mas me sentia em casa. Foram tantos anos de aprendizado com a vida, que, mesmo sem o dom da palavra e do improviso, sinto-me bem em falar ao microfone. Os livros me instruíram e a vivência me mostrou coisas que me ajudarão a atuar junto aos meus pares da diretoria. São pessoas com as quais tenho afinidade intelectual, literária e social. Na posse, estavam presentes os seguintes acadêmicos: Felicidade Patrocínio, Ivana Rebello, Wanderlino Arruda, Dário Cotrim, Edson Andrade, Glorinha Mameluque, Jarbas Oliveira, Leonardo Linhares, Zoraide Guerra David, Márcio Adriano Moraes, Georgino Neto, Aristônio Canela, Lola Chaves, Fabiano Lopes de Paula, Andréa Martins, Dóris Araújo, Cyntia Pinheiro, Míriam Carvalho, Karla Celene e eu. As emoções daquela noite continuam, porque a cada momento há uma palavra, uma descoberta, um plano, um desejo e a vinda de apoio para a concretização. Vi coisas grandes acontecerem. E, ao vê-las prontas, parecem ter vindo por um passe de mágica, como se aparecessem do nada. Não! Foram feitas “tijolo por tijolo num desenho lógico”, e assim, o trabalho em equipe vence obstáculos e alcança a grandiosidade. É preciso ter presença firme e flexível. Na contracorrente do fútil e do superficial, lado a lado com a IA, o trabalho intelectual aparecerá quando todos colaborarem com o mesmo objetivo: estimular, criar, divulgar a literatura, a formação de novos leitores e a cultura em geral.
