Na atualidade, parte dos jovens não se aprofundam nos estudos, miram no domínio do tema e ficam na superfície, sabendo de quase nada sobre quase tudo; é o conhecimento raso pelo excesso de informações.
Um rapaz estava com duas notas na mão para fazer uma cobrança, mas não tinha ideia de como fazê-lo. Pediu ajuda. Deveria cobrar R$45,00 e tinha uma nota de R$50,00 e outra de R$5,00, então precisava retornar R$10,00. Tal fato mostra o resultado do uso abusivo de calculadoras pelos estudantes. Não conseguem fazer cálculos matemáticos básicos, uma dificuldade constrangedora aos maduros, enquanto os jovens fazem pouco caso dos saberes dos idosos.
Desafios como novas tecnologias, digitação rápida, velocidade de compreensão, aprendizado e absorção de conceitos recentes, maduros passam vergonha, enquanto os jovens os vencem de olhos fechados. Neles, a memória é algo notável, pois o arquivo tem espaço para o passado e o futuro.
Os mais velhos aprendem, desde que conceitos necessários àquele aprendizado estejam disponíveis no arquivo mental. A memória poderá falhar, e assim, quanto mais se ocupe de novas tarefas, mais fácil se recordará de coisas antigas e recentes, a maior das dificuldades, após novas conexões neuronais.
Jovens e velhos podem se esquecer de coisas lidas, ouvidas e até estudadas, mas é mais comum no idoso. As facilidades do Google, da IA, do ChatGPT – IA generativa, de Alexia – assistente virtual e outros recursos à mão, contribuem para a preguiça mental.
Palavras desaparecidas acontecem no pensamento, na fala, e na escrita, causando vexame, como se vê com frequência nas lives. O que mais se esquece é nome de pessoa, lugar ou objeto, mas algumas vezes a origem – de onde eu a conheço? Pode-se esquecer de nomes, sendo necessário investir esforço para buscar uma ligação para a palavra vir e, em quase todas as vezes, passada a precisão, o nome chega. Isso ocorre devido à necessidade de se abrir várias pastas mentais para achar o que se procura.
Há dois caminhos para se esquecer ainda mais dos nomes de pessoas e lugares: perguntar a IA pelos nomes, esses sim, os mais difíceis de se lembrar e também, contraditoriamente, o hábito de anotar para não se esquecer. No caminho inverso, uma boa maneira de se lembrar é, ao ouvir o nome, fazer uma associação com alguém próximo, mas sendo um nome inventado, não há associação.
Os escritores passam aperto ao perder palavras. Algumas vezes se lembram de significados aproximados, mas o termo pensado inicialmente desaparece, impedindo a expressão da ideia original, devido ao vocábulo fugitivo.
Como regra geral, para estimular o cérebro na questão dos nomes, o melhor é não desistir, mesmo quando a palavra não vem há horas. Pense, repense, aperte a cabeça, tente fazer conexões, não pare de pensar e não se sabote buscando ajuda. Isso é fato comum nesses dias acelerados, quando muitos estão afetados, mas alguns fingem que não é com eles. Quanto mais se entregar ao esforço, melhor se sentirá com a palavra à mão. Com o vocábulo, vem o alívio operado pela memória: consegui!
