O elevado nível cultural e intelectual é herança de família, desde seu avô Georgino Jorge de Souza, passando pelo seu pai Georgino Júnior, e então, Georgino Neto, que até recentemente postava francos e inofensivos poemas lavados de poeticidade, e de um tempo para cá, decidiu-se por nos mostrar outra habilidade: as batalhas vernaculares.
Falava-se, nos tempos primordiais, que nas famílias com muitos filhos, a inteligência ia se gastando a cada nascimento, como se a mãe fosse se exaurindo e o último rebento ficasse sem nada. Sem relativizar a inteligência dos dois Georginos que o antecederam, Georgino Neto foi uma vítima ao contrário, porque recebeu a genética familiar e os hábitos dos ascendentes, que foram se depurando em ambiente diferenciado, um lugar de gente que prioriza livros e conhecimento maturado em boas escolas associado aos próprios esforços.
Sabe-se do alto nível de escolaridade de Georgino Neto, que tem título de doutorado e de fato é doutor nos estudos e na vida. Humilde e educado, ao ler nas redes uma opinião desairosa, rebuscada, buscando algum grau de convencimento, usa de todo seu saber, e, com artimanha, ironia, humor fino e sutileza, recorre ao seu conhecimento de causa, vai dissecando frase a frase, jogando-as ao chão, e assim destrói o oponente que, tonto, mal percebe o que lhe aconteceu, sem tempo de ver o bólido que o atropelou.
A inteligência e a retórica são características que ganham minha admiração. Gino vê os rabiscos na tela, resolve encarar o oponente e, civilizadamente, com o capricho e o método dos sádicos, tratora o desconhecimento de quem pensa que vencerá com sua argumentação pífia, e nem respirar consegue. A paciência com que faz essa dissecação certeira, palavra por palavra, separando os argumentos um a um para mais bem destruí-los, mostra tamanha capacidade argumentativa, que se o oponente entender um pouquinho de Português, ao se ver humilhado com elegância, se calará. Os mais renitentes e audaciosos replicam de maneira patética, seguindo o método dos extremistas que jamais recuam, e nunca aceitam a derrota.
A sagacidade da defesa que Georgino Neto opera lava a alma de quem lê, que se vê sorrindo satisfeito ao vê-lo revidar com classe e categoria, através de sua escrita operosa, bélica e contundente, detonada no centro do alvo. A satisfação de quem está dentro da mesma trincheira é visível pelas manifestações de apoio nas redes sociais. Quando o destempero é grande, uns poucos se animam a fazer a tréplica, mas o terceiro Georgino é bom nisso.
Agora sabemos um pouco mais sobre seus talentos. Acho o máximo esse destampamento, essa produção caudalosa, nada domesticada, o apoio mortal e moral que nosso lado recebeu com a chegada e a disposição de Gino, que, por achar inútil replicar, ignorava os oponentes. Espero que não se canse e não desista de debater nesse deserto de ideias. Agora fazemos a festa, a nossa festa de celebração à inteligência do confrade da Academia Montes-clarense de Letras. Leia-se e publica-se essas batalhas com o irônico título de “Meus Improvisos.”
