Caso tivesse mais coragem do que a que eu tenho, faria exatamente como eu faço. Não sou de me omitir e se isso me acontecer, podem me enterrar, pois morri faz tempo. Meu atrevimento é frutífero, mostrando-se útil. Olhando para trás, vejo, sinto, percebo o quanto me rendem minhas decisões. Não me arrependo e nem sinto culpa, de forma alguma. Faço da lealdade meu combustível e nem penso em recuar. Por que fez isso? Para não ferir, e também para me manter inteira. Continuo firme nas coisas em que acredito, e principalmente nas que não creio. Não aceito imposições, ainda que me sinta flexível, e até certo ponto domável. Não raro, faço pé firme, mas posso mudar de opinião, caso consigam convencer-me. Minha verdade serve a mim e não me interessa ter razão e muito menos convencer alguém de coisa alguma. Sou gente de boa conversa e muitos gostam de falar comigo, porque sei ouvir, porque sei falar o que a pessoa precisa, no momento apropriado. Nada acontece por determinação. Tudo é por acaso, mas o que vejo ao meu lado ou tenho notícia, não é em vão. Saberei a importância de cada coisa, e consigo me lembrar da circunstância do que me foi falado. Sobre mentiras, perco nesse quesito. Não sei inventar nada. Criar historieta não é comigo; jamais invento. Posso ficar calada para evitar problemas, mas só se houver risco de vida. Aprendo muito com minhas vivências e as vivências alheias. Não preciso ter todas as experiências para poder compreendê-las. Para escrever é preciso uma boa dose de vaidade e de coragem. Não se emite opinião impunimente. Gostem ou não gostem, tudo tem um preço. Algumas ideias são petrificadas, outras são mutantes. Não me assusto com o contraditório, ainda que seja apenas em meu pensamento. A maturidade ensina a sermos menos ansiosos, mais equilibrados, suaves e leves. Fiz muitas coisas, mas as pessoas a minha volta também as fizeram e quase todas souberam aproveitar as oportunidades que surgiram. Para fazer qualquer coisa bem é preciso não ter preguiça e completar as ações da melhor forma, colocando trabalhos e pessoas certas em cada departamento. Dou prioridade ao que é prioritário e urgente. A lição número um para viver bem e muito é evitar culpa, ansiedade e preocupação. O trio virá sem sua permissão, mas você o jogará no lixo. Como? Afugentando o pensamento. Como mulher psicanalisada há 24 anos e meio – comecei em 27 de fevereiro de 2002, após infarto aos 46 anos –, não sou guiada pela psicanálise, mas por frases que consigo formular a partir de expressões ditas pela psiquiatra ao fim de cada sessão. Se eu me sinto melhor que outras pessoas? Não me sinto nem melhor, nem pior; sou generosa e humilde na medida certa. E qual é essa medida? É aquela do bem estar. Estou bem quando vejo pessoas se sentindo bem ao meu lado, e para isso me empenho. Meu defeito é não ser uma mulher dobrável para melhor caber onde não me cabe. Digo não à humilhação! Manter a dignidade, eis a chave de minha tranquilidade.
