Não há um ser humano sequer, que não tenha algum vício. E mesmo que queira insistir para si mesmo que não tenha, se perde na incongruência de não entender a definição da completude do seu ser.
A mera satisfação das necessidades fisiológicas torna a vida menos desafiadora. A angústia de encarar a si mesmo em seus defeitos e desvios nos torna humanos. Estar completamente cego diante da própria certeza da fraqueza, nos faz mais fortes pelo simples fato de encararmos com humildade os nossos vícios, que por vezes, nos dominam.
Desde a nossa concepção, até a constituição do embrião que nos deu origem, estamos vinculados a necessidade do que é externo a nós mesmos. O néctar que alimenta o enxame das abelhas das nossas sinapses de dopamina, sempre estarão nos enfrentando ao ponto de cedermos aos nossos vícios.
O mero pensamento intrusivo que atrapalha sua percepção por alguns minutos é um vício em delirar. A intensificação do aprisionamento de si mesmo, no reflexo de si mesmo, cria para qualquer um a sensação de controle, esta, que representa mais um dos nossos vícios.
O controle sobre nós mesmos é limitado a circunscrição dos horizontes que nós mesmos podemos enxergar e manipular. Por isso, o vício apenas representa uma extensão de si mesmo na trilha da vida. Pois a carne, chama alto. E quando somos chamados, no ato do esquecimento da nossa própria demanda mundana, afastamos do mundo.
Você é servo dos seus vícios, apenas pelo fato de ser imperador de si mesmo. E a sensação de ter um reino a que se pode dispor, constitui a realidade imanente de quem sabe que pode tomar algumas decisões, sendo que outras, continuarão sendo a servidão de si mesmo a própria cátedra dos anseios mundanos.
Por mais que queiramos negar, ser o imperador de si mesmo, necessariamente envolve a atitude de reconhecer a fraqueza e a miséria de si mesmo. Para que a partir disso, possamos aperfeiçoar o que somos.
Somos o que somos devido a extensão dos nossos vícios, que nos ludibriam com a sensação de prazer, que cada vez mais, consome nossa ingenuidade. Por isso, não existem não viciados. Apenas existem os vícios bons e os vícios ruins. Essa é uma das consequências de existir.