O sono nada mais é do que a hibernação da expectativa. A descontinuidade da trama. O choque de realidade necessário para o passo seguinte. Mas tudo isso, se converge em um novo panorama, quando falamos do sono ao relento.
O céu é sem dúvida alguma o maior companheiro do aventureiro. Quem ousa navegar rumo aos destinos traçados pelo plano cartesiano, enxerga nas estrelas a possibilidade de se aproximar de um cotidiano ilimitado.
Nossa alma é regada pelo ato de ousar desafiar sempre os limites da nossa própria ignorância. Pois apenas pela irreverência, que se perfaz a meditação necessária para o arreio do cavalo do nosso futuro.
Quem pouco reage, muito se afasta. Se afasta de tudo o que pretende, justamente por acabar se tornando a sombra de si mesmo. E nesse caminho de entrelinhas curiosas de falsas intimidades, acaba se tornando um eu descompromissado.
Mas o céu estrelado não permite a existência da sombra. Pois a terna luminosidade das estrelas, cria ao menos um rastro de esperança em novos rumos.
O limite da euforia é estar cara a cara com a própria teimosia, e não se orgulhar dela, mas reconhecer que sem ela, a fragrância do eu autêntico se perde pela forçada urbanidade que apenas é imposta aos fracos.
Fato é que nunca se deve crer que somos livres como nossos sonhos. Pois a condição posta de que devemos viver conforme a conveniência social cria o padrão de conduta exigível para não incomodar e não ser incomodado.
Mas sonhar de vez em quando é permitido. Pois o sonho mais autêntico, sempre foi, é, e será puro. Por isso, em alguns momentos, queiram fazer com que seus sonhos ‘menoscalem’ as prosopopéias dos cidadãos dignos e honrados. Pois isso, pelo menos, cria o estado da arte que movimenta o pulso firme de quem precisa do mundo, com intensidade.
O agir selvagem de quem sente o faro da realização, apenas cria a certeza de que o fim de cada plano ou projeto exige o início do outro. E ao relento, as estrelas nos conduzem a máxima da esperança no próximo passo.