Já pararam para pensar que somos internos nos prédios dos ciclos de amor em que vivemos? Imaginemos em quais contextos mundanos já nos estabelecemos no passado, e perceberemos que o movimento do passado até o presente cria a certeza de continuaremos nos corredores do edifício da nossa própria vida e das vidas de quem amamos.
Desde as reformas que foram necessárias, até as revoltas que causaram os vandalismos de nós mesmos, encontraremos no fundo deste escopo, nossos próprios anseios atemporais, que por vezes se repetem e podem se isolar na sensação do tempo, como contextos únicos, que precisaram, em alguma medida, serem objeto do ato de compartilhar.
O que causa isso, é a internação de nós mesmos nos edifícios alheios. Apenas isso pode causar a estranheza abstrata de quem sabe que está à margem de si mesmo, mas acaba sendo capturado pelo interior de um terceiro que consegue não só compartilhar a sua vida, como acaba se tornando o hospital da nossa própria alma.
Estamos falando do amor, em suas múltiplas formas, que em certa medida, aprisiona nossa loucura maníaca. Quando estamos no seio das expectativas de quem amamos, estamos no “check in” da internação do nosso eu paciente, nos hospitais de quem amamos.
Isso cria o contexto de internação. Pois o interno, que era somente um ser largado a sorte, pelo menos quando estava sozinho, encontra o recinto correto para esgrimar contra si mesmo, a fadiga que lhe tomava o tempo de quem pode produzir.
E naturalmente, para quem produz, há o incentivo de quem quer que o outro produza. Estamos falando da postura anímica de quem provê o amor, visando que tudo isso seja recíproco.
É dessa relação que surge o verdadeiro aprisionamento de um para com o outro. Estamos falando das uniões que criam contextos imanentes à própria percepção. Que podem ser originários dos berços, quando tratamos de mãe e pai para com o filho, no curso da vida, entre irmãos, amigos, namoradas. Além da maior mudança de paradigmas na vida de qualquer um, estamos falando do casamento.
Então, de uma forma ou de outra, quase tudo representa um ciclo diferente, mas nada, se compara, a internação suprema da alma, que representa a aliança divina do ser humano para com Deus, nossa divindade tutelar. Berço e destino, em que seremos eternos internos.