Pedro MartinsEscritor, Ciências Jurídicas e Agronômicas

Fragmentos

Publicado em 18/07/2023 às 19:23.

Na cátedra da compreensão de nós mesmos, encontraremos nossos fragmentos. Sejam estes constituídos pela memória, arrependimentos, eventos marcantes, ou pela própria visão que temos de si. Cotidianamente esses fragmentos veem a interagir com nossas próprias compreensões, e somos colmatados pelo ânimo e pelo desânimo.

Fato é que esses ditos fragmentos vão cada vez mais se dissociando da compreensão real das coisas, ao ponto de nos afastarmos excessivamente do conforto do nosso templo. Por isso, devemos sempre manter esses fragmentos, os mais próximos possíveis, para que não sejam desordeiros. E assim, poderemos aceitá-los emocionalmente, ou enfrentá-los racionalmente.

A injúria de si mesmo pode se transformar em uma batalha sem controle, se deixarmos que nossos fragmentos se afastem de nós mesmos ao ponto de montarem exércitos contra nosso castelo. Esse é o desequilíbrio de quem acaba sendo ferido por si mesmo, muitas vezes pela culpa, ou pela sensação de insuficiência.

Quem encarar em si o auge da própria determinação, qual seja, o comportamento puro e simples de uma pessoa comum, acabará atraindo fragmentos dispersos e esquecidos, e passará a conhecer a si em um nível extraordinário.

Essa é a constituição da força e do vigor emocional. Encarar a realidade e não a repelir, ao ponto de visualizar fragmentos com milhares de metros de filmes que devem permanecer vivos para conduzir nossos comportamentos à excelência de nós mesmos.

Isso é a demonstração fática do resultado para quem não tiver autocontrole; perde a identidade, ao ponto de transformar-se em um estranho, até mesmo para si. A objetividade e centralidade do pensamento é sinal de maturidade, e querer para si o melhor do que há, é a maior personificação da identidade desfragmentada. Deve-se saber desistir quando é prudente, simplesmente pela sensação de que o olfato da realidade é mais forte que a pueril emoção passageira fragmentada.

Fragmentos dispersos criam confusões, que necessariamente conduzirão a interpretações não coesas. Ao ponto de não conseguirmos estabelecer um vínculo de fidelidade para com os reais paradigmas que queremos seguir. É necessário que o fragmento bem-vindo, seja fruto da indicação da outra pessoa, caso contrário, parecerá um delírio para quem o enfrenta.

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