Não ouse entrar na caverna alheia. Pois lá não encontrará uma gruta com um santuário. Será o recôndito da solidão controlada. A máxima da solitude inevitável. Se esconder na caverna é o ato instintivo mais forte de todas as predisposições psicológicas. Quem entrar lá, está sujeito a retaliação iminente.
Isso é ser primata, isso é ser selvagem. Isso é “ser humano”. A intimidade violada, cria uma progressiva insegurança que transborda em uma inevitável resposta. Uma resposta cuja pergunta não interessa. Seu eu profundo nunca poderá ser mascarado pela realidade condescendente de quem se aproxima lentamente da sua caverna.
Na sua caverna, ninguém deve ser bem-vindo. Lá, você esconderá todos os seus “pertences psicológicos” não compartilháveis. Neste recinto, você terá, ao seu dispor, todo o controle sobre as mágoas não superadas. Nesta cátedra, você será o(a) diretor(a) do próprio destino.
E se você, ainda não fez sua caverna. Esqueça! Nunca mais a construirá! Pois uma caverna não é construída. Ela já existe! Você apenas não a encontrou. E quando encontrar, não coloque catracas, portas giratórias, alçapões, portinholas, porteiras, “passa-um”. Nada.
Nem mesmo quem tenha um terapeuta deve ousar permitir que uma alma viva entre lá. Pois essa caverna, vai manter sua truculência com a injustiça, e sua austeridade moral, como constantes em sua vida.
Nossa caverna psicológica é muito mais do que qualquer um pode imaginar. Ela tem dimensões tridimensionais muito mais exuberantes do que qualquer uma neste mundo. Ela tem limites infinitos. Estalactites e estalagmites tão ornamentadas que parecem espadas!
Na caverna. Encontrará a forma de suprir qualquer demanda psicológica. E se permitir que invasores adentrem nela, a desarmonia se estabelecerá. Isso é um fato. Pois apenas na caverna poderá amar a si mesmo. E se não amar a si mesmo. Como irá amar o próximo?
Tudo tem limites! E nossos limites, são tão íntimos, que no interior das nossas próprias razões, criamos o senso primitivo de manter nossas cavernas, sob a tutela da ordem do nosso próprio destino. Que será traçado, em função do quão arquitetada for, a sua própria e individual, caverna.