Oncologia deve ser prioridade no pós-pandemia

Ramon Andrade de Mello*
06/05/2022 às 00:27.
Atualizado em 06/05/2022 às 10:27

Milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a manter o isolamento social durante a pandemia, fator que trouxe reflexos, principalmente, para o tratamento de algumas doenças como o câncer. O fenômeno não foi exclusividade brasileira. Nesse período, instituições da área de saúde no país chegaram, por exemplo, a registrar 70% de adiamento de cirurgias oncológicas e mais de 1 milhão de pacientes postergaram exames para diagnóstico de câncer de intestino ou câncer colorretal.

Aliado ao fator da pandemia, o aumento da longevidade da população demanda um novo olhar para as tendências na saúde. Estamos passando por um período onde as enfermidades infecto-parasitárias, típicas de países em desenvolvimento, devem dar lugar para o aumento das chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial, diabetes, bem como as oncológicas.

O câncer é responsável por 8,2 milhões de mortes todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e o mundo registra 14 milhões de novos casos todos os anos. A perspectiva da entidade é que as notificações cresçam até 70% nas próximas décadas. No Brasil, 10% dos municípios já têm o câncer como principal causa de morte.

Os sistemas público e privado de saúde têm grandes desafios pela frente. Uma das frentes é investir na prevenção por meio de campanhas e exames. No caso de câncer de pele, por exemplo, a orientação de uso de protetor solar e evitar a exposição demasiada ao sol deve ser matéria da educação infantil. Já para a população adulta, o incentivo a uma vida saudável, sem consumo do tabaco, ingestão regrada de álcool e alimentos ultraprocessados pode contribuir para redução significativa do diagnóstico da doença. A prática de exercícios físicos regulares deve ser incentivada em qualquer fase da vida, mesmo que seja uma simples caminhada.

Os investimentos em pesquisas também devem ser estimulados como forma de encontrarmos outros modelos de tratamento. Nas últimas décadas avançamos muito com a imunoterapia, terapia-alvo e, mais recente, com o tratamento com as chamadas células CAR-T. Todo esse arsenal de novos tratamentos pode alcançar resultados positivos caso o paciente tenha um diagnóstico precoce da doença.

Por isso, o adiamento de consultas e exames durante a pandemia pode trazer reflexos por anos para a saúde no país, retardando a cura de muitos pacientes. 

*Médico com PhD em oncologia pela Universidade do Porto, Portugal

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