Senhoras e senhores, o mundo muda. E, com ele, a escola também. Depois de anos mergulhados no brilho hipnotizante das telas, estudantes de todo o país estão redescobrindo um mundo que sempre esteve ali: o da conversa sem emojis, do olhar sem filtros, da atenção sem distrações.
Desde que a nova lei federal restringiu o uso de celulares na educação básica, o que se vê nas escolas é algo que parecia distante: alunos interagindo de verdade. Sem telas entre eles, a troca de ideias voltou a ser olho no olho. O aprendizado, antes fragmentado por notificações incessantes, agora flui com mais naturalidade.
A adaptação não foi fácil. No início, houve resistência, dedos inquietos buscando telas inexistentes. Mas o tempo, sempre saudável, tratou de mostrar os benefícios. Relatórios internacionais já apontaram: a simples presença do celular na mesa pode ser um convite irresistível à distração. Agora, sem esse imã digital, os estudantes redescobrem a biblioteca, participam mais das aulas, jogam bola no intervalo.
Professores notam a diferença. O silêncio que antes indicava atenção dividida agora significava concentração real. A socialização ganhou novo fôlego, a curiosidade voltou a ser compartilhada fora das telas. Se antes o tempo livre era monopolizado por feeds infinitos, agora é preenchido por ideias, trocas e – quem diria – até mesmo bons e velhos livros.
E não são só os educadores que percebem a mudança. Os próprios alunos relataram que a escola ficou mais viva. Menos tempo perdido com rolagens sem fim, mais momentos compartilhados com amigos. A criatividade se expande, e os projetos culturais ganham protagonismo.
A verdade é que a escola sempre foi um lugar de encontros. E encontros desabilitam presença, de corpo e de alma. Com menos distrações, o aprendizado se fortalece. E, mais importante: as conexões humanas, aquelas que realmente importam, voltam a ocupar o centro do palco.
Porque a vida, senhores, acontece aqui e agora. Fora das telas. Dentro dos olhos. Sem calor das palavras.
*Jornalista/Radialista/Filósofo