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Fernanda Torres nos faz refletir

Marcelo Barros*
Publicado em 06/03/2025 às 19:00.

O inglês é um idioma universal, que abre portas para realizar aspirações pessoais, ascender no mercado de trabalho e explorar o mundo. Até aqui, nenhuma novidade, certo? Mas se dominar o idioma é tão importante, por que, afinal, temos uma lacuna tão grande de fluência em nosso país?

Nos últimos meses, temos acompanhado o sucesso de Fernanda Torres com o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, fenômeno de bilheteria visto por mais de 5 milhões de espectadores só no Brasil e que já foi reconhecido em festivais de cinema internacionais, incluindo três indicações ao Oscar 2025: Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz e Melhor Filme. A atriz tem estado intensamente engajada na divulgação, participando de diversos programas internacionais, concedendo entrevistas em inglês (e outros idiomas), se comunicando com naturalidade e aproveitando oportunidades para ampliar a promoção da obra no exterior.

Fernanda faz parte de uma pequena parcela da população que fala inglês. Segundo o British Council, apenas 1% dos brasileiros são fluentes no idioma, dentre os 5% que afirmam ter conhecimento. Apesar da globalização, que há muito tempo faz com que o inglês deixe de ser um diferencial para se tornar um requisito obrigatório para muitas oportunidades de trabalho, o domínio do idioma ainda é considerado um desafio no Brasil.

Ao analisar a situação, é possível entender alguns motivos, entre eles a falta de acesso a bons recursos de aprendizagem e a falta de interesse no estudo por não entender a importância da língua para um futuro com melhores oportunidades. Isso fica claro em uma pesquisa feita pela Pearson, indicando que o Brasil é o país que menos valoriza o ensino de inglês na América Latina.

Essa desvalorização é evidente em diferentes áreas e classes sociais do País. Mesmo a elite brasileira, que tem acesso a múltiplos recursos, não domina o idioma. Frequentemente, vemos que muitos artistas em ascensão internacional são monoglotas, assim como quase todos que ocupam cargos políticos. Afinal, há mais de vinte anos não temos um Presidente da República capaz de se comunicar em inglês, por exemplo.

E como mudar esse cenário e ampliar a fluência no idioma estrangeiro? Claro que não existe uma fórmula mágica, mas há maneiras de fomentar a aprendizagem e instigar os brasileiros a aprenderem inglês. Acredito que um bom caminho seja mostrar como o domínio da língua abre portas e facilita a realização de projetos pessoais. A mesma pesquisa da Pearson aponta que 33% dos entrevistados relataram que a falta de inglês prejudicou suas oportunidades de crescimento no mercado de trabalho. É preciso, portanto, disseminar as possibilidades no campo profissional, como possibilidade de obter melhores cargos e salários, e também na área pessoal, com a realização de planos, como fazer uma viagem internacional ou até mesmo estudar fora do Brasil.

Mas apenas despertar o interesse das pessoas não é o suficiente. É necessário incentivá-las e deixá-las mais confiantes na hora de falar ou escrever, principalmente as das gerações Millennial e X, que, diferentemente da geração Z – que, a depender da classe socioeconômica, é mais confiante e já nasceu em uma certa imersão, com acesso a filmes e músicas ilimitadas em inglês, de acordo com um estudo realizado pela Pearson, – tendem a ser mais inseguras ou se cobrar mais pela perfeição.

Em resumo, o cenário de ensino e aprendizagem de inglês ainda apresenta desafios no Brasil, mas existe uma gama de possibilidades e incentivos a serem estimulados. E, nesse sentido, ter bons exemplos na mídia, como o caso da Fernanda Torres, nos enche de orgulho e reforça a importância e o desejo de que mais brasileiros dominem o idioma.

*CKO do CNA+

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