Um momento de saudade

Vitrine Literária / 12/11/2020 - 00h01

Foi uma noite memorável. O salão nobre do Automóvel Clube de Montes Claros estava repleto de celebridades. Risos, sorrisos e algumas gargalhadas espacejadas retratavam brilhantemente a importância histórica daquele encontro esportivo. Diante de uma belíssima exposição fotográfica, um momento havia para nos emocionar. Ora, as pálpebras cheias em sintonia com a sequidão da garganta faziam rostos abrasados como pétalas das rosas vermelhas e corações acelerados como ventos zunindo nos grotões das serras distantes. Era a saudade chegando de corona com as doces lembranças de um passado mágico e verdadeiramente glorioso. Quantas palavras engasgadas pela emoção eram proferidas pausadamente ao sabor desses ventos e, mesmo assim, com uma vasta reticência?! Quantas saudades?! Quantas?!...

A alegria de encontrar velhos conhecidos era algo quase que inexplicável. Lembrávamos o tempo em que íamos numa velha picape da Willys Overland do Brasil para a Padaria Globo, do empresário Antônio Brito, de onde, após degustarmos o café com leite acompanhado do pão com manteiga, seguíamos contentes para o treinamento no campo do Ipê Futebol Clube. Estávamos presentes: eu, o Mando, Wilson de Sá, Zoca, Garrinha, Silvio e tantos outros – os outros não fisicamente – mas nas vivas lembranças ressuscitadas daquela memorável noite de gala. Era, por assim dizer, o mundo encantado do futebol de campo que só nos emociona se tiver como ponto central uma bela pelota de couro.

Não obstante a tanta alegria, houve um momento de silêncio em memória daqueles que não se acham mais cá entre nós. Era um silêncio fúnebre, frio e sombrio como se fosse um sudário negro a cobrir uma parte da nossa emocionante história. A morte, a morte caríssimo leitor, é como uma bela prostituta que nunca sabe escolher os seus amantes. Mesmo assim, o clima tenso e frio foi despertado com uma calorosa salva de palmas. Portanto, ficavam no telão algumas imagens em doce movimento como se fossem borboletas espanejando o pó de suas asas sobre as nossas cabeças.

Podemos dizer que, desde então, a história do Futebol de Montes Claros está, a cada novo tempo, mais presente do que nunca em nosso meio esportivo com o advento do “Troféu Bola Cheia”, este que se incumbe de avivar e reavivar a memória dos saudosos craques e, também, de oferecer valiosas e precisas informações aos novos desportistas de nossa terra. O mesmo poder-se-á dizer que “a história do mundo é a história dos grandes homens”, como bem disse o escritor Will Durant. Se me fosse dado escolher, no esporte de Montes Claros, uma figura que lembrasse os tempos de glórias do esporte montes-clarense, eu apontaria Zim-bahia (Isaias Manoel Cotrim), pois o veria simbolizando, através do Esporte Clube Bahia, o homem-desportista completo, que se fez pelo próprio esforço e pelo amor de que nutria o seu time do coração.

As presenças de Joãozinho, do Cruzeiro, e Paulo Isidoro, do Clube Atlético Mineiro, abrilhantaram substancialmente o evento. Para concluir esta nossa crônica sobre o “Troféu Bola Cheia”, desejamos manifestar a nossa solidariedade e o nosso carinho para com o amigo e colega de Banco do Brasil, o desportista Denart D’Ávila, que ao enaltecer o apoio recebido da Unimontes, ainda observou que “o esporte é um ideal de vida para grande parcela da população, entre profissionais e anônimos”. Agora, outra coisa não é senão render-nos uma homenagem de gratidão a toda a sua equipe, que labutou dias, horas e minutos para nos oferecer um espetáculo esportivo de grandeza inquestionável. O nosso caloroso amplexo!

 

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