SAINO A PERCURÁ

Vitrine Literária / 23/07/2013 - 11h09

Quando eu era menino de calças curtas e pés no chão, eu gostava muito de brincar nas ruas de minha querida cidade de Guanambi de jogar bolas e outras diversões. Isso foi lá pelos anos cinquentas/sessentas. A cidade era o palco iluminado de minha vida, onde as lutas de gladiadores aconteciam entre os grupos de meninos, imitando os astros do cinema nos filmes da época. Por outro lado, as revistas em quadrinhos – os saudosos Gibis - ganharam espaço cativo no meu lazer, em companhia dos Sobrinhos do Capitão, Zorro, Roy Rogers, Bill The Kid e uma infinidade de títulos para a diversão de toda a garotada.

Algumas dezenas de anos depois, morando em Montes Claros, uma Revista em Quadrinhos chama-me atenção. Nesse momento, as lembranças estampadas no meu rosto queimam o semblante de doces saudades. Eram as Histórias de Lelis, ou Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira, na Revista Saino a Percurá. Foi um momento sublime e até hoje eu guardo, com carinho, um exemplar desta empolgante Revista.

Lelis, como eu gosta de ser chamado, representa a cidade de Montes Claros no mundo das artes em todo o universo. E representa muito bem! “O trabalho de Lelis é inusitado, diferente, com um traço que só ele sabe fazer” (Fernando Gonsales). “Lelis possuiu um traço original e singular, marca dos grandes desenhistas” (Roberto Ribeiro – Festival Internacional de Quadrinhos - FIQ). “É sempre uma emoção ver esses meninos irem surgindo assim, como plantas milagrosas numa terra mal adubada para este fim. Foi assim que apareceram o Cau, o Quinho, o Dálcio, o Jean, o Reinaldo Rosa, um montes deles...” (Ziraldo).

Na história de Saino a Percurá há uma mistura da vida cotidiana na zona rural do interior mineiro e o mundo maravilhoso do erotismo. Os seus desenhos trazem os traços catrumanos, retratando cenas corriqueiras das fazendas e sítios, com o carro de bois molegando pelas veredas a cantar, o gado na invernada sob o cuidado do vaqueiro Jovino de Tião Ferrêra da Fazenda Estrela; que “cindia cigarro de paia, e ia simbora trabaiá só com um taco de rapadura e uma tira de carne seca tudim infiado no imborná”. Por outro lado o erotismo puro e bem comportado que reproduz a figura doce e excitante jovem Gabriela, de Jorge Amado. Uma “minina nova cum fogo nas parte mundinha, era sarará dos cabelo vermeio”. Assim é a revista das Histórias do Lelis, Saino a Percurá!

Encerram ainda na revista mais duas histórias atraentes e emotivas. Depois de Saino a Percurá, Lelis nos conta a história Neoliberal2 do caboclo Zé Difunto, obstinado por resgatar a garota Juvenira da prostituição vulgar e temerária. Já na sequência, a Mudernidades, uma história que retrata a modernidade de uma cidade pacata, onde os habitantes se ressentem pelo amigo que não está vivo para ver as modernidades que começam a chegar na cidade com a luz elétrica, a geladeira e a televisão. Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira é natural de Montes Claros.

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