Sítio do São Romão

Vitrine Literária / 19/12/2007 - 18h54

Era o Sítio do São Romão o principal ponto de fiscalização do governo e que ficava pela dita Estrada Real, de Antônio Gonçalves Figueira, com destino a cidade de São Salvador, na província da Bahia. Morava ali naquele Sítio o alferes Salvador Cardoso de Sá, que tinha a incumbência de fiscalizar os tropeiros que carregava o ouro de Serra Nova, Grão Mogol e Diamantina para a capital da província baiana.

No livro “Viagem ao Brasil” do Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied registrou-se a seguinte passagem sobre esta região, conforme o que se segue: “sob a claridade dos relâmpagos, alcancei o Valo, pequenina casa de barro, habitada por um furriel e dois soldados, que o alferes comandante do posto do Arraial do Rio Pardo envia para aí. São encarregados, para evitar o contrabando, de revistar todos os viajantes que chegam a partem, e, presentemente, de trocar as moedas espanholas (cruzados) por portuguesas, operação lucrativa para o governo”. Para alcançar o Sítio do São Romão era preciso atravessar o pequeno riacho “Passagem da Areia”, conforme registro existente no livro Bandeiras e Sertanistas Baianos, de Urbino Viana.

Conhecemos o Sítio do São Romão exatamente no dia seis de setembro de 1997, quando lá estivemos na busca de sua história. Encontrávamos em companhia do saudoso cônego Newton Caetano de Angelis e do nosso ilustre confrade do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, o Dr. Paulo Costa. Não sei se ainda hoje o aludido casarão existe naquelas paragens. Pois, naquele tempo ele já era uma velha construção abandonada pelos seus herdeiros. Ainda assim, tinha a parte da senzala e uma grandiosa fabrica de farinha totalmente em ruínas, com as suas peças de madeira já apodrecidas em meio a muita imundície. Da nossa viagem ao Sítio do São Romão, solicitamos ao Cônego Newton que escrevesse alguns registros para complementarmos a nossa pesquisa sobre o município de Rio Pardo de Minas, o que de prontidão ele nos entregou essa preciosa pérola de sua história:

“No desempenho do múnus paroquial em Rio Pardo de Minas, durante mais de três décadas, transitando pela atual rodagem térrea, que é o novo caminho da margem esquerda do rio Pardo, via-se ao longe, a casa sede da fazenda do São Romão. Hoje tiveram (Dr. Paulo Costa, Dr. Dário Teixeira Cotrim e eu) a oportunidade de visitá-la, já abandonada pelos atuais herdeiros; ainda desafiam ao perpassar do tempo, a frente e os respectivos cômodos, mas em ruínas, estão várias dependências internas; da senzala, depois transformada em casa de engenho e desativada, resta apenas uma parede. O primitivismo da construção, de quase nenhum conforto doméstico, deficiente até da própria luz natural e ventilação, leva-nos a crer que tenha sido o Capitão Mor Salvador Cardoso de Sá, falecido em maio de 1755, e nosso mais antigo ancestral que a tenha edificado. Ignorando-se a procedência, na fazenda residiu este primeiro vigia no Destacamento de número 7 do Distrito de Diamantino, nas margens do Rio Pardo deixando doze filhos legítimos e numerosíssima descendência. Já no final do século passado, ali residia o senhor Silvério Soares Bandeira, com vários escravos, dos quais ainda conheci quatro: Verônica, Valéria, Daniel e Ana, irmã deste. Seguramente incompletos, recordo-me proprietários da mesma fazenda: Armindo Moraes, Tibério Ferreira Neves, José Néri de Souza e finalmente Maximino Pedro dos Santos”.

Necessário seria preservar as velhas construções, entretanto não sabemos o que se passa nas cabeças dos homens. Notícias chegam até nós de que o velho casarão do Sítio do São Romão foi demolido, e com ele foi destruindo mais de dois séculos de história. Uma pena!

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