O poeta esquecido

Vitrine Literária / 07/08/2021 - 01h42

O poeta Ildeu Lopes de Jesus, ou simplesmente Ildeu Braúna, ainda não foi homenageado pelo povo de sua terra. Talvez por não se identificar como um agitador cultural esquerdista, senão um fazedor das belas-artes no sentido pleno da palavra e, por isso, não teve a oportunidade de ser lembrado pelos cidadãos montes-clarenses.

Pode ser que “viver alguns instantes com os mortos de que vimos, entre as cousas que os cercam, é a volúpia a que nos convidam essas folhas rebarbativas, desmanchadas em poeira, ou mosqueadas de bolor”, e que certamente o tempo se encarregará de extinguir a tempo essas dezenas de homenagens, bizarras e inconsequentes, coisas que ainda acontecem em nossa cidade. 

É normal que todos os artistas tenham suas características pessoais, assim como os falsos comunistas, que arrotam socialismo, a torto e a direito, com a intenção de agradar a parte dos mais necessitados. Ildeu Braúna não coadunava com esse tipo de falsidade, politicamente incorreto, para angariar a simpatia de pessoas, sem a sintonia com o desejo de uma sociedade carente. 

Não! Ildeu Braúna nunca foi simpático com a falsidade e nem com a corrupção. Era sério, trabalhador e competente em tudo que fazia e fez muito com intensa sabedoria, copioso respeitoso e carinhoso com o patrimônio público.

É importante afirmar que Ildeu Braúna era um homem do campo. A política foi para ele uma decepção imperdoável. Na verdade, os seus amigos gostariam muito de vê-lo na tribuna da Câmara, defendendo o nosso povo e a nossa arte cultural. Ora, numa frase retumbante do filósofo Jean-Jaques Rousseau, disse ele que o político é um produto do meio e corruptível do erário público, coisa que Ildeu Braúna não considerava correto para ilustrar a sua biografia de homem íntegro. 

Nota-se bem, que num trecho do texto divulgado em Cururuaçu, é-nos revelado com toda a sua coesão e robustez, a vida boiadeira do homem citadino neste sertão bruto do escritor João Guimarães Rosa. Exatamente isso, o poeta-cantador, Ildeu Braúna, era um homem do campo e, ao lado do amigo Téo Azevedo e tantos outros, cantou e encantou as belezas do sertão. Para demonstrar com clareza a importância e a influência cultural na formação da arte norte-mineira, a sua música fala dos traços verificados na contemplação dos bens culturais, como solução constante dos versos catrumanos, na literatura de cordel.

Somente os historiadores, gente de paciência e tenacidade, insignes, que se atrevem na preservação dos bens históricos, sem descaracterizá-los na sua forma e no seu conteúdo, sabem da importância de preservar o passado no presente para o futuro das próximas gerações. 

Entretanto, todas as aberrações feitas no presente momento – com homenagens imerecidas para certas pessoas – serão os argumentos diminutos para a sua manutenção no futuro. Se, por outro lado, o nome do poeta Ildeu Braúna ainda não está assentado em alguma placa, por merecimento justo, é só uma questão de tempo, haja vista que o seu trabalho, sério e competente, na Secretaria Municipal de Cultura nunca será esquecido, principalmente com a construção do Corredor Cultural “Padre Dudu”, no centro histórico da cidade. O Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, através do associado Carlos Renier Azevedo, está organizando uma antologia, em literatura de cordel, para homenagear o ilustre poeta Ildeu Braúna. Vamos aguardar!

 

 

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