Natal

Vitrine Literária / 21/12/2007 - 14h37

Por algum tempo tudo que se falava sobre o Natal. O mês de dezembro ainda estava distante, pois só agora começam a cair as primeiras bátegas de água. Mesmo assim o espírito natalino já principia nas casas comerciais do centro da cidade. Os arranjos, aqueles que embelezam as noites frias de dezembro e janeiro, ainda são os mesmos utilizados em anos anteriores. Mas tudo está muito lindo! O que parece é que não haverá mais nenhuma novidade natalina para este ano de 2007. Todavia, é Natal!

As festas de Jesus Menino são movimentos de massa, que estimulam o nosso desejo, desde os mais altos sentimentos religiosos com a expressão comum da alegria até o consumismo desenfreado na hora de presentear os entes mais queridos. O Natal faz bem para o coração e a alma! Evidentemente que sabemos, na prática, que o espírito natalino apenas passa de relance para se perder depois já nos primeiros dias do ano entrante. Independentemente das adversidades, o clima natalino continua sendo a esperança mais viva para amolecer corações de pedras. Se não resolve, também não prejudica. Aliás, ameniza substancialmente o sofrimento de muitos dos mais sofridos.

Por tudo isso o Natal é esperança! Apesar de predominar-se nas comemorações das festas natalinas o vermelho da violência por obra e graça dos maus, ainda, assim, o Natal é esperança. “Do tronco de David brotará um ramo; e a árvore crescerá de suas raízes”. Disse Jesus Cristo o nosso Senhor. E é aí que está arraigada a doce esperança do Natal.

Mas a verdade, que pode ser provada até mesmo nestes tempos remotos, é que o homem, impaciente com as guerras, ainda sonha com a paz mundial. Não obstante a tudo isso, atualmente, nem a paz do Natal consegue acalmar os ímpetos malignos daqueles que vivem no mundo do crime. Mas o bambino insiste em nascer a cada Ano Novo!

Uma outra característica do mês natalino é aquela que se pauta na luminosidade estrelares. Sempre as cidades adormecem em noites frias e claras, enquanto isso, a lua cheia vagueia por sobre as casas iluminadas com as cores celestes. As árvores natalinas, cheias de bolas de miçangas e luzinhas coloridas, encontram-se em quase todas as casas. Guirlandas enfeitadas com anjinhos e pingentes dão um colorido todo especial nos lares dos mais abastados. A voz suave e doce de Simone ressoa, com ecos, pelos alto-falantes dos aparelhos de som afirmando que hoje é Natal! “Então é Natal, o que você fez, o ano termina e nasce outra vez...!”.

Que saudades me trazem os presépios de minha mãe!

É meia-noite, há ceia farta para uns e para muitos a ceia falta. Sempre foi assim. Não é difícil constatar o desejo de viver neste mundo cruel, onde a necessidade de realizar sonhos impossíveis veio pôr em prática o afastamento de Deus. Toda a sabedoria do conhecimento é o resultado de uma longa fase de experiência acumulada durante milhares de anos e depois legado aos pósteros através dos tempos.

Por estranho que pareça, neste mundo onde a justiça é injusta, o amor e a esperança são as formas mais seguras do homem lidar com os seus sentimentos e nunca com as suas lágrimas. Ainda bem que existem pessoas que acreditam no milagre do renascimento, onde o Jesus Menino, de um presépio pobrezinho, anuncia a salvação do mundo: “eu sou o sal da terra, eu sou a luz do mundo...”.  Ainda bem que existem crianças que acreditam que todas são filhas de um Papai Noel. Aleluia, aleluia!

Nisso, alguém abriu à janela e, de dentro do penate rústico gritou uma voz de criança.

- Feliz Natal!

- Feliz Natal! – gritei de volta. E as lágrimas começaram a descer pelo meu rosto. Sei que a nossa vida é regada de lágrimas, mesmo em terreno incrédulo essas lágrimas conseguem germinar as sementes da fé. E chorei mais... Chorei quando notei que o seu sapatinho estava junto à soleira da porta a espera do Papai Noel, hoje um velho obeso e sem memória.

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