Formigas e o Cruzeiro

Vitrine Literária / 18/09/2021 - 00h01

Há muitas divergências sobre a localização exata do extinto arraial do Cruzeiro, nas imediações da fazenda de Montes Claros de Formigas. Conta-nos a história que o padre Teotônio Gomes de Azevedo houvera colocado em um cômoro existente na Estrada das Boiadas um grande cruzeiro de madeira, “que se tornou o ponto cêntrico do povoado que se formava, sendo ali construídas as casas de residência do referido sacerdote e dos agregados”.

Em razão disso, o núcleo habitacional criado pelo padre Teotônio recebeu o nome de arraial do Cruzeiro. No entanto, acreditamos que a sua localização teria sido em algum lugar onde é hoje a fazenda Sanharó, não obstante a inexistência de ruínas em todo a sua extensão.

Na verdade, era a Estrada das Boiadas muito mais movimentada e promissora do que a sede da fazenda dos Montes Claros de Formigas. Em vista disso, entendemos que no percurso do tempo foram criados dois povoados – Formigas e Cruzeiro – numa distância entre um e o outro de pouco mais de dois quilômetros.

No livro o Rio da Unidade Nacional, de Orlando M. Carvalho, é assentado a existência desses povoados da seguinte forma: “Montes Claros o antigo arraial das Formigas e Cruzeiro, deslocou-se, nos princípios do século passado, para outro ponto, perto da Estrada Real, por sugestão de um padre”.

A saudosa professora Yvonne de Oliveira Silveira consignou no seu livro Montes Claros de Ontem e de Hoje, a seguinte nota: “o povoado estava, porém, a ter poucos anos de vida, pois foi dizimado pela varíola, em 1808. Os poucos sobreviventes refugiaram-se em Formigas, que passou a progredir mais rápido, tornando-se o ponto dos tropeiros”.

Nota-se que a família dos Gomes de Azevedo era do Sumidouro, veio para Diamantina, onde não teve autorização para ali permanecer. Em caravana, parte para a Chapada Diamantina, na Bahia. Foi nesse comboio que o padre Teotônio resolveu ficar no arraial de Formigas e, posteriormente, assentar nas suas cercanias o aldeamento do Cruzeiro. 

Portanto, podemos dizer que, no início, teve a persistência do padre Teotônio com o arruado em Cruzeiro. Antes, porém, com a compra da fazenda dos Montes Claros pelo alferes José Lopes de Carvalho é justo dizer que a criação da vila de Formigas foi por iniciativa deste novo morador. 

Muitos outros fatos aconteceram no correr do século XVIII, principalmente com o aparecimento do sertanista Miguel Domingos, quando o mesmo foi desalojado das minas de Itacambira, durante a Guerra dos Papudos, e que depois zarpou para a sede da fazenda de Montes Claros. Assim ocorreu porque constatou-se que o sertanista Miguel Domingos já era um velho conhecido do alferes José Lopes de Carvalho.

Na sequência dos acontecimentos, o historiador Leonardo Álvares da Silva Campos, em matéria de jornal, disse que “Miguel Domingos e os seus seguidores cuidaram então de edificar a povoação com o primeiro volume de construções abrigando a todos e respectivos familiares”. 

Há outras versões sobre a criação do arraial de Formigas, um tema ainda não esgotado pelos historiadores e pesquisadores de nossa terra. 

O egrégio Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros – IHGMC se preocupa em aprimorar a nossa história antiga, tem procurado reeditar livros raros sobre esse mesmo tema e, assim, a nossa história vai se completando, deixando com isso um legado primoroso para as próximas gerações. 

 

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