Fernão Dias no Norte de Minas

Vitrine Literária / 04/09/2021 - 00h14

Como já dissemos anteriormente, a expedição mais importante para o Norte de Minas Gerais foi a bandeira do paulista Fernão Dias Pais, no período de 1674-1681, quando recebeu ordens do governador Afonso Furtado para penetrar no sertão em busca das esmeraldas na mítica serra do Sabarabuçu.

É fato verdadeiro que ele tinha o aval incondicional da coroa e, em nome do Rei, gozava de autorização legal em missão oficial. O governador-geral D. Francisco de Souza (1599-1602) estimulou a procura de riquezas minerais atraído pelo ouro de aluvião no Sumidouro, acreditando na existência de pedras preciosas naquela região. 

Pode-se dizer, com extrema certeza, que a missão deste bandeirante tinha os mesmos embasamentos das primeiras expedições dos exploradores do Brasil, como foi o caso da expedição do castelhano Francisco Bruza de Spinosa e do padre jesuíta João de Azpilcueta Navarro, em 1553-1554. 

Só que as primeiras expedições dos descobrimentos e as conhecidas exploradoras – Pedro Álvares Cabral, Gaspar Lemos, Nicolau Coelho, Martim Afonso de Souza e Vasco da Gama – vieram por mar, enquanto que as Entradas e Bandeiras andaram por terra, léguas e muitas léguas, à procura das sonhadas pedras preciosas.

O historiador Pedro Calmon, na sua obra “História do Brasil”, fala com muita propriedade sobre a expedição de Fernão Dias Pais nos nossos sertões ainda virgens. Vejamos:

“De fato, as pedras verdes não valiam a pena; porém o êxito da Bandeira – exatamente a que mais impressionou a imaginação dos brasileiros – não estava neste tesouro enganoso. Consistia na abertura do caminho geral, para as montanhas dos Cataguás, além da Mantiqueira. Descortinaram o maciço central. Revelara as cabeceiras dos caudais que se atiram para a costa, serpenteando entre as barreiras e os espigões; as terras florestais que as altas serra delimitam; os cabeços ferruginosos, as imprevistas formações geológicas, os cristais de rochas e as cascalheiras de uma zona rica de todos os minérios... As Minas Gerais estavam descobertas. O estoico capitão das esmeraldas revolucionou as abusões e as tradições do sertanismo paulista: substituiu a ‘marcha para o sul’, rumo às missões abundantes de gentio dócil, pela ‘marcha para o norte’, através dos campos de Taubaté, passando o Paraíba e as gargantas da Mantiqueira. Puxou aqueles insaciáveis andarilhos para as terras dobradas e ínvias dos puris, indicou-lhes a Sabarabussu que prometia incríveis riquezas e autorizou a lenda de que prata e pedras finas fariam daquilo outro Peru”.

Seria a lagoa do Vapabuçu em outro local, senão na região de Itacambira? A história tem lá suas controvérsias. Entretanto, nas minhas pesquisas eu sempre procurei seguir o roteiro do ilustre professor dr. Simeão Ribeiro Pires, que já vinha abalizado nos estudos de Diogo de Vasconcelos.

Por que, então, mudar o caminho das pedras? Há, sim, notícias dos bandeirantes nos chapadões de Itacambira, Juramento e no rio das Velhas (Sumidouro).

É importante conservar o histórico dos pesquisadores sobre o assunto, haja vista que não podemos comprovar, e nem discordar, dos fatos registrados nos primeiros dias da colonização brasileira.

Miguel de Cervantes já dizia, com muita propriedade, que “a história é émula do tempo, é repositório dos fatos e testemunha do passado, é exemplo do presente e advertência do futuro”. Não é por acaso que a existência de enigmas sobre a presença de Fernão Dias Pais, em nosso sertão, a cada dia que passa nos encanta mais. 

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