A força militar Leri Santos - II

Vitrine Literária / 11/01/2008 - 11h03

Continuação...

Devido ao lamaçal encontrado nos caminhos, as forças mineiras só conseguiram chegar à vila de Tremedal três semanas depois. Nessa ocasião os rebeldes já se preparavam para deixar o Norte de Minas, depois de serem atacados nas imediações de Jatobá. Retrocederam então para próximo à vila de São João do Paraíso, de onde seguiram até a divisa com o Estado da Bahia.

A maior parte das estações telegráficas deixara de responder os apelos dos militares. Era um sinal evidente de que os rebeldes já tinham estado por perto. O general Mariante em seguida determinou ao capitão Leri Santos a tomada de contato. A tropa mineira deveria obter pontos de observações, não devendo esquecer-se de que os rebeldes costumavam atrair grupos pequenos pelos flancos apenas para resguardar o grosso da Coluna. O general Mariante insistia no ataque, recomendando ainda que a tropa não se deixasse abater “diante de uma simples cortina” que os revoltosos costumavam nos apresentar.

Ninguém ignora, no entanto, que o capitão Leri Santos comandava suas tropas diretamente subordinadas ao general Mariante. Não pensava assim o coronel Paulo René de Andrade. A Força Pública apenas colaborava com o destacamento do general Mariante todas as vezes que seus pontos de vista coincidiam. O corolário dessa regra não é menos importante do que o interesse comum aos dois comandantes.

A fim de seguir para Rio Pardo de Minas, em ligação com a Companhia Fonseca, ele organizou um grupo composto de cem homens, sendo: quarenta patriotas, trinta engajados na última hora e mais trinta praças regulares sob o comando do 2º tenente, o oficial Alcides do Amaral. Esse batalhão foi batizado com o nome de Melo Viana. A mobilização dessa gente dera-se na antiga comunidade de Morrinhos e Manga. Sua partida teve lugar no dia 25 de abril e o que ela sofreu para desempenhar sua missão é difícil de ser descrito. Tendo seguido a mesma rota da Companhia Fonseca, teve a mesma sorte que ela, ficara atolada pelo caminho perverso dos lamaçais.

Enquanto o grosso da Coluna seguia retrocedendo em direção a São João do Paraíso, o general Mariante entrava em contato com o governo de Minas solicitando autorização para que as tropas da Força Pública atuassem fora do seu estado. Atendendo as ponderações do General, o Governador, por intermédio do comando-geral, ordenou que o capitão Leri Santos se colocasse sob suas ordens. Era o interesse coletivo sobrepondo o egoísmo de poucos.

A Força Pública perseguiu a Coluna até Juazeiro. Depois disso voltou para Pirapora, fato que aconteceu no dia 17 de agosto. “Era mais uma campanha contra a Coluna Prestes, mas que ainda não seria a última”. Assim, a narrativa do coronel Tito da Silveira foi concluído.

NOTA: As crônicas “A Força Militar Leri Santos I e II” fazem parte do meu livro “O Laço Húngaro”, que versa sobre a trajetória do capitão Luis Carlos Prestes desde a Chapada Diamantina até o distrito de Serra Nova, no município de Rio Pardo de Minas. O livro já está no prelo e deverá ser lançado ainda neste primeiro semestre de 2008.
 
* Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros

Publicidade
Publicidade
Comentários