A força militar Leri Santos - I

Vitrine Literária / 09/01/2008 - 10h39

De todas as exposições em livros e documentos de época, certamente que cada qual com o seu grau de importância, foram nos escritos do coronel Geraldo Tito da Silveira que encontramos anotações de interesse relevante sobre o movimento revolucionário.

Assinala o coronel Tito em seu magistral livro de Crônicas da Polícia Militar de Minas, que “de Januária, seguindo as instruções do comando-geral, o capitão Leri Santos determinou que a Companhia Fonseca fosse subdividida de modo a guarnecer Espinosa e Tremedal. As estradas estavam intransitáveis, alagadas, devido às enchentes dos diversos riachos e córregos então existentes naquela região. Marchava resoluta, vencendo todos os obstáculos, dentro d’água, sem alimentação adequada e na contingência de abrir picadas em regiões paludosas das margens do rio Gorutuba. Os víveres e munições eram transportados à cabeça dos soldados porque os muares não podiam transpor carregados os atoleiros”. Na realidade, a situação daquela época não era favorável para um bom combate. Era infinitamente complexa. A única maneira de devolver às tropas a eficiência que elas deveriam ter, assim que lhes faltasse às condições necessárias para a vanguarda, era o oficial mostrar-se em plena disposição no seu comando, porque os soldados sempre estão com a mesma disposição do seu oficial.

“A cidade e o município [São Francisco] atravessaram logo em seguida uma fase de anormalidade com a penetração de elementos revolucionários da Coluna Prestes, aquartelamento de forças e incursão da famigerada coluna <<patriota>> do Rotílio Manduca. Deixaram magnífica impressão entre nós os batalhões da polícia baiana pelo seu elevado índice de disciplina e fina educação dos seus oficiais”.

Como se tratava de um conflito meramente ideológico e não tão somente político, é duvidoso que os soldados se deixassem render às vicissitudes do tempo. É obvio que as relações dos militares com os jagunços baianos, os combatentes dos grupos constitucionalistas tinham aspectos enquizilantes, e que traduzia num antagonismo perverso. Sustenta ainda o coronel Tito que “não obstante a ordem de se requisitarem montadas, não era possível ao comando obter animais suficientes para o transporte dos oficiais e praças, de modo que só as cargas se faziam em lombos de burros. Entrementes, o chefe político de Tremedal entrava em contato telegráfico com o capitão Leri Santos, com receio da aproximação dos revoltosos, adiantando ainda que eles achavam-se nas imediações de Condeúba. Ele próprio enviara 180 animais ao encontro das forças mineiras, mas ignorava em que ponto se encontrava o tenente Fonseca. Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara de Espinosa comunicava também que os animais por ele enviados, com condutores e grande quantidade de gêneros alimentícios, haviam regressado a meio-caminho tais os obstáculos encontrados!”.

Como causa imediata, enquanto esses dois chefes políticos procuravam localizar a rota das forças mineiras, o tenente Fonseca foi impedido pelas chuvas de avançar até Tremedal. Dizia em mensagem ao capitão Leri Santos que os caminhos estavam intransitáveis e não permitiam o avanço da Companhia. Os atoleiros só podiam ser vencidos por homens a pé, assim mesmo sem carga alguma. Tentara descarregar os muares de modo que eles pudessem atravessar os atoleiros, mas tudo fora em vão. Uma picada que abrira até o lugar denominado José Nicolau, só poderia ser utilizada depois de estiar alguns dias.

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