A família Machado

Vitrine Literária / 10/12/2020 - 00h32

No mundo literário são muitos poucos os que se preocupam em escrever genealogias. Aprendemos que a genealogia é a busca de informações e subseqüente montagem das quatro árvores de costados de uma família, com nomes, datas e lugares de origens dos mais remotos ascendentes para mantê-los vivos na memória dos atuais descendentes. De tudo que fizemos, a genealogia continua sendo o principal motivo das pesquisas que realizamos durante todo esse tempo. Não foi por acaso que herdamos do nosso avô materno – Domingos Antônio Teixeira – esse gosto pela escrita. Aliás, toda a nossa história de família ele nos deixou registrado e cabe-nos agora, apenas complementá-la e conservá-la para a posteridade. 

Algum tempo atrás conhecemos o notável humanista José Gomes Machado. Ele havia escrito, com muita competência, o livro A Família Machado, sua origem, sua história e outras histórias, que é um magnífico repositório de documentos e de estudos interessantíssimos sobre a sua descendência e a origem de sua terra natal. Não houve ainda a publicação oficial de sua obra, o que certamente os seus familiares já devem estar providenciando. Mas, mesmo assim recebemos com alegria e elevado entusiasmo um exemplar encadernado e autografado pelo autor na data de 16 de setembro de 2006. Muito nos impressionou o seu cuidado, a sua dedicação e a sua paciência em formalizar textos explicativos, os sumários de assuntos e os índices de nomes, datas e de outras informações não menos importantes para o que interessa a sua obra. Há, todavia, um motivo muito forte para justificar tanto esforço e tamanha determinação de José Gomes Machado em sua nobre empreitada: o de preservar a memória de seu povo e a belíssima história de sua querida terra.

O trabalho genealógico do ilustre acadêmico José Gomes Machado, embora modesto e despretensioso, é um apanhado de nomes, datas e lugares, todos garimpados em arquivos públicos e depoimentos orais, o que pode conter erros, mas certamente ele espelha com fidelidade a montagem familiar dos Machados de São João do Bonito, município de Mato Verde/MG, nos seus respectivos costados. É o próprio autor que esclarece que “muitas vezes já ouvi dizer como é bom falar bem, fazer elogio de um amigo. É verdade: dos amigos fala-se de coração aberto e sem nenhum disfarce, sem interesse e, então, as palavras saem sinceras, transformadas em ouro puro, que não se liga com esse metal barato e vil da adulação”. Enfim, é tudo o quanto se possa desejar para tornar atraente e agradável a leitura desse livro sobre a genealogia dos Machados. 

Pesquisando em livros, encontramos a seguinte anotação de João Camilo de Oliveira Torres sobre os estudos da genealogia. Diz ele que “um falso igualitarismo tornou ridículos estes estudos entre nós, como se a única utilidade da genealogia fosse provar fidalguias”. Pode ser. Mas, sabemos que não é, porque há outros interesses nesses estudos muito mais importantes do que provar fidalguias.

É interessante notar que em Montes Claros são raros os escritores que se iniciam na produção de livros genealógicos. Encontramos nas obras de Nelson Viana e Hermes de Paula alguns rabiscos sobre este tema. Também o escritor Dário Cardoso Vale, escreveu Memória Histórica de Prados, quando dedicou parte do seu trabalho à pesquisa genealógi-ca. 

Todavia, Os Antepassados, de autoria de Pedro Maciel Vidigal é considerada obra completa sobre o assunto. Em síntese, o livro A Família Machado sua origem, sua história e outras histórias, de José Gomes Machado, é obra de valor inquestionável para os estudos genealógicos das famílias norte-mineira. Resta-nos agora, com inquieta ansiedade, aguardar a publicação desta obra para melhor proveito das informações nos estudos escolares e nas pesquisas pessoais. O Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros criou a Cadeira 63 em homenagem a José Gomes Machado, que é ocupada pelo acadêmico Pedro de Oliveira de Várzea da Palma.

 

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