A Dama das Camélias

Vitrine Literária / 26/11/2020 - 00h02

A avaliação da qualidade de um filme antigo deve levar em conta duas variantes fundamentais: a primeira, que é de ordem objetiva e está relacionada com o tempo e o lugar. Naquela ocasião, os filmes ainda eram mudos e as dificuldades na montagem das cenas persistiam, uma vez que os efeitos da ficção científica ainda não tinham sidos explorados pelas grandes companhias hollywoodianas. A outra vertente, que pode ser de ordem subjetiva, refere-se aos preconceitos de uma conjuntura de fatores onde as mulheres eram execradas pela sociedade por transvestirem-se, artisticamente, na representação de uma sirigaita no mundo da prostituição. Assim, pode-se dizer que a película de A Dama das Camélias, estrelada por Greta Garbo e Robert Taylor, foi um escândalo para a sua época.

Entretanto, os olhos de hoje não enxergam esses disparates no mundo das artes visuais. O cinema, ao longo dos tempos, foi-se modificando e criando novos hábitos na concepção das películas. A beleza das cenas, mesmo em preto e branco, atesta a qualidade da obra de Lionel Barrymore e a competência do elenco na formação de um único conjunto da arte: A Dama das Camélias. Na sua segunda versão, datada de 1936, Greta Garbo teve um dos seus maiores triunfos nesta brilhante adaptação de George Cukor, da tragédia romântica de Alexandre Dumas. É preciso entender que a primeira versão de A Dama das Camélias, rodada no ano de 1921, era um filme em preto e branco e mudo e foi estrelado por Alla Nazimova e Rudolph Valentino quando o cinema engatilhava para o sucesso.

O enredo deste filme se desenvolve da seguinte forma: a atriz Greta Garbo, que interpreta a Dama das Camélias como a Marguerite, uma das cortesãs mais fascinantes de Paris, era mantida pelo rico e poderoso Barão de Varville e, apesar de tantos anos acumulando riquezas, mesmo assim, o seu coração continuava vazio. Entretanto, ela conhece Armand (Robert Taylor) um belo jovem, que desconhece o seu passado e por ela se apaixona perdidamente. Apesar de ser uma paixão avassaladora entre os dois, o pai de Armand (Lionel Barrymore) implora para que Marguerite se afaste de seu filho, pois o seu passado escandaloso iria aniquilar o futuro do rapaz. Admitindo a verdade dolorosa do pedido, a meretriz, consciente do seu dever, rejeita o amor de Armand, mas ele não desistirá dela até mesmo quando uma doença letífera ameaça de uma vez por toda a permanência desse amor.

Recordar os filmes antigos, revivendo os momentos de ternura ao lado da pessoa amada e se emocionar com as lágrimas das divinas musas do cinema, é hoje um momento sublime das reminiscências de então. Quem não guarda dentro de si uma lembrança amorosa dos filmes dos tempos passados? Nós temos, além da película de A Dama das Camélias, o belíssimo Dio Come Ti Amo, o filme e a canção, como testemunhas de um grande amor. Verdade!

 

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