Uirapuru com Noriel Vilela

Frida e Pagu / 28/09/2021 - 00h05

“Uirapuru” é uma memória tão remota, que não sei se a conheci no rádio ou na TV. Os indivíduos maduros a identificam, sabem ser ela cantada por várias vozes, destacam a voz grave do refrão, mas desconhecem Noriel Vilela.

Cantor nascido no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1936, Noriel Vilela de Arantes teve uma infância pobre em Lins de Vasconcelos e morreu em 20 de janeiro de 1975, aos 38 anos. Duas versões: teria morrido de anemia em consequência da leucemia ou teria tido um choque anafilático numa intervenção dentária.

Antes de se tornar cantor, foi torneiro mecânico. Era dono de uma voz tão grave que realçava no universo musical, por ser um baixo profundo diferente. Parecia usar truques para conseguir tal resultado. 

Foi calouro do Programa de Ary Barroso e depois participou durante algum tempo do Conjunto Vocal Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, um coro masculino e feminino, cujos componentes eram negros, consistindo de uma soprano, uma mezzo soprano, uma contralto, dois baixos, um tenor e dois barítonos. Desse grupo, o disco “Os Anjos Cantam”, de 1961, é uma produção fundamental para a MPB.

Nilo Amaro, na verdade Moisés Cardoso Neves, valorizava a técnica de cantar. A trupe musical tornou eternas as músicas “O Uirapuru” e “Leva eu saudade”, ainda executadas com frequência e reverência. Nelas, Noriel Vilela chamava a atenção pela qualidade da sua participação.

Cantando “Dezesseis toneladas” – “Sixteen tons”, de Ernie Ford e Merle Travis, de 1947, versão de Roberto Neves em 1971, uma folk song, Noriel Vilela fez sucesso nacional. Interpretava músicas brasileiras e norte-americanas, e deixou compactos com canções de matriz africana e samba-rock.

Sua enorme extensão vocal é caso para estudos, indo de A1 até F4, grave a agudo, cantando também em falsete. Os entendidos saberão traduzir o que vem a ser isso, fato surpreendente, pois o baixo profundo costuma ter menor alcance vocal.

Caso tivesse vivido mais, teríamos maior diversidade musical para presentear nossos ouvidos, em especial os ávidos por vozes graves. Esse vulto da nossa música, dono de espetacular e melodiosa voz, com várias toneladas de talento, marcou as velhas gerações e influencia cantores do século XXI, por isso precisa ser lembrado e valorizado. Pesquisei e divulguei.

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