Tributo à Simone Narciso Lessa

Frida e Pagu / 25/08/2020 - 00h01

Simone era tão Narciso e tão Lessa que seria impossível dissociá-la de qualquer das famílias de origem. Fisicamente era muito parecida com Leopoldina Rocha Lessa, sua avó centenária. Tinha voz rouca e o sorrisão farto dos Lessa, mas tinha algo de Narciso.

Nasceu em 12 de maio de 1963, no Dia das Mães, e morreu em 18 de agosto, deixando três órfãos. Luís nasceu, realizando-a como mãe, enquanto as conquistas acadêmicas eram gestadas. Sem gravidez, foi mãe de João Gabriel e de Samuel: quando eu vi a criança, o amor materno explodiu em mim e eu me tornei mãe dela. 

Kátia Vanessa Pires escreveu: “Não quero falar dos títulos, da intelectualidade, nem dos grandes feitos. Preciso homenagear a prima, a amiga e o ser humano simples, cheio de humildade e de alegria, que distribuía amor indistintamente. Com ela pudemos aprender muito sobre igualdade, respeito e valorização do ser humano da forma que ele é. Aprendemos, também, muito sobre coragem, força da mulher e repúdio aos diversos tipos de preconceitos”. 

Marcelo Moebus disse: “Lutou energicamente contra as desigualdades sociais, as formas de opressão e de violência, as injustiças, o racismo e o machismo, ainda tão tristemente arraigados. Sua inteligência, seu bom humor, sua delicadeza, seu sorriso e sua coragem eram marcas de quem possui a estranha mania de ter fé na vida...”. 

Publiquei: “Você foi amor, mãe e historiadora, uma combatente de primeira linha, vencedora em várias frentes, e que partiu para o infinito, após longa enfermidade: câncer no pulmão. Autêntica, corajosa, coerente, era despida de preconceito e vaidade. Contava sofrer grave doença, mas eu tinha dentro de mim a sensação de permanência, e agora, com sua partida, sem despedida, aos 57 anos, sinto-me triste, coração apertado, mas aliviada. Não por mim, mas por você. Hoje estamos mudos em voz e chorosos em lágrimas, mas cientes de que cumpriu, de forma notável, todos os papéis que lhe foram solicitados e outros que você se apresentou como protagonista, como nas duas vezes em que se tornou mãe pela via da adoção, sendo uma pós-doutora, transformadora do mundo, também na maternidade.” 

Os incontáveis comentários de gratidão feitos no Facebook, pranteando Simone, aliviam nossa dor.

Publicidade
Publicidade
Comentários