Pode botar a barba na máscara

Frida e Pagu / 05/01/2021 - 00h01

Devido à poluição, o uso de máscara cobrindo nariz e boca era habitual entre o povo oriental, por tradição, disciplinado e obediente às regras. Quando a pandemia começou, o uso de máscara foi estimulado para quem tivesse sintomas da doença e depois se tornou obrigatório para todos, à medida que a Covid-19 se tornava mais conhecida. O coronavírus chega por perdigotos, gotículas que saem da boca quando falamos, tossimos ou espirramos, e fômites, os objetos contaminados.

A máscara pode ser descartável ou caseira. O que importa é ser de tecido espesso que impeça a passagem do SARS COV 2. Enquanto no oriente os acessórios são brancos, no Brasil há uma gama de estampas, cores e modelos. Lá não se vê máscara dependurada na orelha, no queixo, ou com o nariz de fora, principal local de entrada do vírus. A aderência à face deve ser adequada. Para que o adereço não exponha o nariz, é preciso que haja uma dobra com espaço para o movimento do queixo. Quem tem barba longa poderá ter dificuldade para domá-la dentro da máscara. Não ficar ajustando o apetrecho, e antes de colocá-lo e retirá-lo, devem-se lavar as mãos.

A máscara, obrigatória em locais públicos, atrapalha respirar, mas com ela se evita a sufocação dada pela doença. Os humanos já se adaptam a esse aparato indispensável para dificultar o contágio. A visão de mascarados é algo chocante. Perde-se a identidade, fica-se estranho feito morto-vivo, mas é o que a ciência prescreve.

Mesmo quando toda a população estiver vacinada, ainda assim manteremos os usos da máscara, do álcool em gel e do distanciamento. Nesse novo normal, temos de trocar o adorno a cada duas horas. O esforço só será válido caso sigamos o protocolo de segurança.

Aprendemos a ler a expressão facial pelos olhos, que sorriem tanto quanto a boca, que permanecerá escondida, mantendo a face enigmática.

O interfone tocou, as cachorrinhas latiram. Coloquei a máscara e corri ao portão. Era uma entrega. Um rapaz educado e sorridente trouxe-me um brinde de fim de ano. Eu disse sorridente? Sim. Ele estava sem máscara. Achei aquilo uma aberrante transgressão, mas não disse nada. Agradeci e, rápida, entrei em casa, certa de que estar sem máscara é comportamento perigoso. E até mesmo imoral.

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