Pandemia e o prodígio de produtividade

Frida e Pagu / 15/09/2020 - 00h26

Nenhum fio de cabelo está onde esteve antes de surgir o vírus SARS COV 2 e sua doença, a Covid-19. Tudo mudou de lugar na Terra. Até o mais cético negacionista ou fanático religioso sabe que a nova ordem existe desde o final do ano passado e ignorou a humanidade. O estado emocional sofreu esperadas variações nos seis meses de pandemia, e os cuidados são variáveis, como vimos no 7 de Setembro a irresponsável lotação das praias. É contar o tempo de incubação, verificar a acentuação do morticínio e certificar que a peste macabra se mantém, estando longe uma interação humana sem riscos.

O afastamento social tem gerado entristecimentos, ansiedades, angústias, mas também gestos de solidariedade e uma produtividade intelectual que não se via há tempos. O Facebook como vitrine nos tem mostrado pessoas produzindo ótimos resultados. No ramo da arte e da cultura, foram mostrados shows em lives, capturadas fotos espetaculares (um momento ímpar da natureza), compostas músicas engajadas, pintados quadros, criados cursos, bons textos em poemas e livros publicados via vídeo. 

A maioria dos acontecimentos chega amarrada no, ainda inevitável, confinamento. Há dias de improdutividade, mas também há estalos de enxurrada criativa, vindo à luz gratas surpresas. Este, até aqui, foi o bom efeito colateral do confinamento, que pode fazer pensar: como não vou me aglomerar devido aos riscos (conhecemos quem desafiou os protocolos, adoeceu e morreu), vou aproveitar o tempo num ócio criativo. E produziu mais do que antes.

O ganho de tempo extra, pela não necessidade de deslocamentos, incentiva a inventividade, criatividade e originalidade. É o que vemos. Os seis meses, até aqui, não foram perdidos, foram ganhos em reflexão, novas habilidades e aprimoramentos, com produção aos borbotões, no estilo “meu último desejo”.

Quem se aglomera, agindo como um condenado no Corredor da Morte, pede sua última refeição: camarão ao molho de champignon, salada e vinho branco, e de sobremesa, chocolate, por favor!

A coragem transformou a ameaça em aliada, desdobrada em aprendizado e criação, e que o tempo de reclusão se encurte com uma efervescência no meio científico e surgimento de uma vacina segura.

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