O parto de um livro

Frida e Pagu / 31/08/2021 - 00h02

Um livro é a cara do autor que, mesmo discreto, mostra-se em demasia. O pensamento precisa sair. 

Escrever é uma atividade criativa solitária e verdadeiros literatos conseguem elevar a língua ao estado de arte. Um período de dor poderá levar à produção de escritas reais. A felicidade também poderá produzi-las, mas períodos ruins costumam ser mais instigantes após passar o terremoto.

Quando perdi o coração, o útero e a mãe em 13 meses ficaram-me vários vazios. Meu filho hiperativo tinha 20 anos, então escrevi sua biografia: Segurando a Hiperatividade. Foi um derramamento de amor e uma resposta a todas as rejeições e perseguições que ele sofre. 

Se escrever um livro é um parto e sua publicação o eleva à condição de filho, quando se escreve sobre um filho acontece um parto duplo. Foi quando dei um nome ao que ele manifestava. Escrito em 2004, desde o começo, quando a minha pressa e verdor na escrita o fizeram cheio de problemas, pensei numa segunda edição, que chega agora revisada. 

Segurando a Hiperatividade já existe na versão digital em ebook, nas várias plataformas digitais, com um longo post scriptum, atualizando os acontecimentos dos últimos 17 anos. Mantenho meu despudorado estilo nas revelações, mostrando tudo aos olhos de quem me lê.

Para despertar o leitor e sacudir a curiosidade, eis a sinopse: Tomar conta daquele menino hiperativo era mais do que um desafio, era uma prova de fogo para qualquer mãe que preze o bom exercício da maternidade responsável e amorosa. O ambiente do lar melhor seria designado usando-se o substantivo pandemônio. 

Ver o menino em ação despertava em muitos uma antipatia do pirralho e dó ou críticas à mãe. Sem tempo para lamentações ou esmorecimento, como não seria possível alterar o mundo hostil, a única coisa parcialmente governável seria tentar domar aquele simpático menininho, que precisava ficar seguro pela mão ou pelos olhos durante todo o tempo, até os 12 anos de idade. O relato emociona e leva o leitor a um momento catártico. É inevitável tomar partido. Aquela mãe precisa defender seu filho, custe o que custar. É imperioso ser forte. É dever assumir o risco de acertar. A capa comigo segurando a cabeça revela: quando tudo parecia desabar, um grito ecoava pela casa: Desacelera, Fernando!

 

 

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