Meu amado pé de araçá

Frida e Pagu / 20/07/2021 - 06h03

Para quem não saiba dar presente em aniversários, sugiro oferecer uma frutífera, quem sabe em vaso? Vejo algumas delas se frutificarem em pequenos espaços. É útil e inesquecível, além de produzir alimento.

Há quatro anos ganhei do meu primo Cláudio uma mudinha de araçá. Não era um indivíduo frágil, por ser parente dos pés naturais da região. Na casa de Milena, minha mãe, havia dois pés de araçá de flora que davam frutos grandes e amarelos, quando os netos os deixavam amadurecer por completo, porque, ainda de vez, eram devorados.

Aqui, logo a plantinha de dois palmos de altura deu flores e frutos. Janeiro é a época de amadurecer araçá. O arbusto do Cerrado cresce pouco em altura, tem folhas grandes e grossas. A flor é branca e perfumada e os frutos redondos dão em cachos, tendo, ao terminar de crescer, o tamanho de uma jabuticaba. 

Certa vez foi envenenado por pintura a óleo, aspergida por pistola. O pezinho murchou entristecido, perdeu suas folhas, parecia morto.

Com meus cuidados e rogos, o vegetal rebrotou e prosperou, dando frutos todo ano. Segundo o paisagista que nos assistiu, o arbusto, jamais podado, havia se transformado num monstro disforme, de tanto que cresceu para os lados. Parecia um imenso guarda-chuva de ampla copa e boa sombra. 


De tão carregado que estava, os frutos mal cresciam, rachavam, tornavam-se escuros, davam bicho, ou apresentavam uma pedra em seu seio.

Em janeiro de 2021, com o coração aos pedaços, permiti sua poda radical. Sobrou apenas um toco com quatro ramificações. Em duas semanas brotaria. Duvidei e engoli a desconfiança. 

Brotou, encheu-se de folhas, formou nova copa, viçosa e exuberante, bem menor que a deformação anterior, embotoou, floresceu, frutificou, conjugando todos os verbos do mundo botânico com força e vitalidade. 

Surgiram problemas nas folhas, mas parece ser algo controlável.

Agora no inverno, fora de época e em vias de sofrer nova poda, porém não radical, o pé de araçá me presenteia com bons frutos.

A escassez não me impede de fazer doce de araçá: lavar, tirar as pontinhas, dividir, cozinhar as metades em água, bater no liquidificador, passar em peneira, medir a massa, colocar metade dela de açúcar, cozinhar até soltar do fundo da panela. De sabor agridoce, está pronta a geleia de araçá.

 

Aqui, logo a plantinha de dois palmos de altura deu flores e frutos. 
Janeiro é a época de amadurecer araçá. O arbusto do Cerrado cresce pouco em altura, tem folhas grandes
e grossas. A flor é branca e perfumada e os frutos redondos dão em cachos, tendo, ao terminar de crescer, o tamanho de uma jabuticaba

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