Leitor, escritor e vendedor de livros

Frida e Pagu / 06/10/2020 - 00h01

Antes do aumento da população evangélica, era incomum vermos pessoas com roupas sociais pelos bairros. Quando víamos alguém com esses trajes, sabíamos tratar-se do vendedor de enciclopédias, o Google da época. Vendiam o saber, mas não eram bem-vindos, devido à inconveniência das longas argumentações e visita e preços altos, para a maioria.

Meu avô Petronilho Narciso tinha uma biblioteca, onde fui apresentada às coleções Conhecer, O Tesouro da Juventude e a coleção completa de Monteiro Lobato. Na casa de Dona Ismar tinha O Mundo da Criança, Dicionário Caldas Aulete, Coleção de José de Alencar e Machado de Assis, e outros. Nós líamos.

A escola quer despertar em seus alunos o gosto pela leitura. Em geral, a vontade de ler, cujo ato causa prazer, acontece, por volta dos 11 aos 14 anos. A pessoa madura, que se convence da importância desse hábito, para além da obrigação, e decide virar leitor, dificilmente obterá êxito, ainda que passe a ler porque não adquiriu o costume desde jovem. Poderá se arrastar na leitura, abandonando o livro antes da metade, fato comum.

Também o escritor tem dificuldade em informar o preço dos seus serviços. Antes da pandemia, nos lançamentos de livros havia mesa de honra, discursos e elogios à obra e ao escritor e uma mesinha com um conhecido a um canto da entrada, para que os amigos comprassem o livro. O autor, em roupas novas, estava adiante, recebendo seus convidados. Apenas depois das apresentações, inclusive com números musicais, autografava, após alguém que vendeu seu livro tê-lo salvado, colocando dentro o nome do comprador.

A Covid-19 suspendeu a solenidade, sua pompa e circunstância, jogando o escritor no esforço para ser reconhecido como tal, publicar seus escritos por via digital e ainda vender seus livros. Os lançamentos estão sendo feitos por lives ou vídeos, com o autor e outras pessoas. Quem lê tem evitado sair, assim, a venda tem sido feita por transferência bancária, entrega por mototáxi, correios, buscar na casa do autor e alternativas.

O importante é o escritor continuar colocando em letras suas ideias para o leitor decifrá-las e viajar no pensamento do outro. A literatura também se adapta a esse momento.

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