Fenômeno astronômico e o engodo

Frida e Pagu / 29/12/2020 - 00h01

Desde 9 de fevereiro de 1986, não acredito nos alardeados efeitos visuais dos fenômenos astronômicos. As previsões matemáticas são exatas, mas os eventos desapontam. Em 2 mil anos, a mais recente passagem do Cometa Halley foi mal vista na Terra. Pela grandiosidade da passagem anterior, calculamos mal e engolimos a decepção.

Em 18 de maio de 1910, a chegada do Cometa Halley causou pânico, pelo suposto gás tóxico da cauda. Parecia tocar a Terra, clareando a noite, enquanto pessoas atônitas olhavam o céu. Seu período orbital varia de 74 a 79 anos, de acordo com o efeito gravitacional de Júpiter e Saturno, que pode atrasar sua vinda. Edmond Halley foi quem primeiro percebeu a periodicidade desse evento astronômico, citado ao longo da história sem dedução de ser o mesmo cometa.

O eclipse total do sol, em 20 de maio de 1947, aconteceu às 9h30 e, por inteiro, durou quatro segundos. Bocaiuva foi o centro, recebendo expedições científicas, inclusive com o físico Albert Einstein. A Lua encobriu o astro rei, sua pequena sombra refletiu aqui, as galinhas se empoleiraram e o dia virou noite.

A Superlua inundou de luz a noite na Ilha do Desejo, em Una, Bahia. Sem energia elétrica, o acontecimento foi exuberante, em especial na travessia noturna do canal, com um luão encantador. Vislumbrar a Superlua em 31 de janeiro de 2018, numa órbita mais próxima da Terra, 30% mais brilhante e 14% maior foi privilégio.

No dia 14 de dezembro de 2020 houve um eclipse solar total no Chile e na Argentina. No Brasil, a Lua ocultou cerca de 30% do Sol. Observadores protegeram os olhos para que a luz da estrela de quinta grandeza não lhes cegassem.

Foi anunciada a Estrela de Belém, uma conjunção dos planetas Júpiter e Saturno, os dois maiores do Sistema Solar, que, em órbitas distintas, se cruzariam no céu, coisa acontecida há 800 anos. Haveria a impressão de um corpo quase único, com grande brilho noturno. Com céu nublado e Lua quarto crescente, o alinhamento se deu no dia 21 de dezembro, próximo ao horizonte. O grandalhão Júpiter próximo a Saturno com seus nítidos anéis foi o que se viu nas fotos, bem menos do que o esperado. A vivência real de algo previsto como espantoso resultou em frustração.

 

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