Eterno Gonzaguinha

Frida e Pagu / 04/08/2020 - 00h01

Há gente que passou a vida admirando um compositor e, tardiamente, devido à flauta de Hamelin, seguiu o fluxo do fanatismo e repudia tudo que amou, ainda amando.

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, carioca, filho adotivo do pernambucano Luiz Gonzaga, Rei do Baião, mudou o nome do pai para Gonzagão, e acabou tão grande quanto ele. Nasceu em 22 de setembro, trazendo a primavera de 1945, e morreu num acidente de carro após um show, no dia 29 de abril de 1991 aos 45 anos, em Marmeleiro (PR). Foi casado por três vezes e deixou os filhos Daniel, Amora, Fernanda e Mariana. Pelo ribombar de suas produções, cujos refrões muitos sabem cantar, é grande a estatura desse economista que produziu músicas imortais.

Foi gravado por Maria Betânia, Elis Regina, Simone, Fagner, Gal Costa, Zizi Possi e Joanna, impulsionando a carreira de todos, e fez parte do Movimento Artístico Universitário (MAU), junto a Aldir Blanc, Ivan Lins e outros, que resultou no Programa “Som Livre Exportação”, da Rede Globo.

Nos quatro anos em que morei em Belo Horizonte, cidade onde Gonzaguinha viveu por 12 anos, escolhi um show para ver no Palácio das Artes: o de Gonzaguinha. Era um homem alto, magro, não propriamente bonito, mas extremamente sensual.

De ideologia esquerdista, muitas das suas músicas de conteúdo político foram censuradas pelo Regime Militar. O imenso Gonzaguinha fez letras provocadoras como “Comportamento Geral”: Você deve aprender a baixar a cabeça/ E dizer sempre: “Muito obrigado”/ São palavras que ainda te deixam dizer/ Por ser homem bem disciplinado/”. Em “É”: “A gente quer viver pleno direito/ A gente quer viver todo respeito/ Agente quer viver uma nação/ Agente quer é ser um cidadão/”.

A apaixonada “Não dá mais pra segurar” recebeu capa da revista Veja: “Explode Gonzaguinha”! “Sangrando” diz: “Coração na boca/ Peito aberto/ Vou sangrando/ São as lutas dessa nossa vida/ Que eu estou cantando”. “O que é o que é” é uma exaltação à felicidade, obrigatória nas cantorias coletivas: “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar, e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”.

O sensível autor faria 75 anos em setembro, partiu cedo, deixando uma trilha sonora memorável para sonorizar nossos dias pandêmicos.

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