Coisas boas da pandemia

Frida e Pagu / 22/09/2020 - 00h01

O negacionismo foi o caminho encontrado por alguns para enfrentar a pandemia e os seus medos, disfarçados de coragem. Não nos fixemos nas cabeças de chumbo, que talvez tenham razão.

Sufocados, mas, por ora, esvaziemos nossas mentes dos números intoleráveis de contaminados e mortos, poluição maior por máscaras e plástico, já que as sacolas retornáveis se tornaram perigosas. Não pensemos nas famílias esfaceladas pelas perdas. Esqueçamos os prejuízos materiais, desemprego e economias desfeitas. Com a mente leve, que se alcance o amplo, o maior, o coletivo. 

O entristecimento generalizado é uma realidade, com aumento de doenças mentais, dizem os profissionais da área, ainda assim, surgiu um espírito solidário persistente. Os que podem sair e respeitam o uso de máscara e distanciamento devem visitar pessoas idosas e necessitadas. Vaquinhas on-line remuneram artistas em lives, salvam cães, patrocinam sonhos, pagam cirurgias, tratamentos, remédios, enquanto certos objetos perderam o valor.

Os barcos podem ser diferentes, mas a doença que levou os viventes à embarcação é a mesma, em todo o planeta: Covid-19. Quem reclamava da rotina anterior, quando tinha apenas o fim de semana para cuidar de si e da casa, achou mais tempo. Parte dessa turma está trabalhando em home office e o não deslocamento levou a cuidar de plantas, animais, aprender, ensinar, mandar mensagens carinhosas para quem não tem nada, nem um ombro amigo. 

No varejo, as conquistas continuam. No desocupado do lar, quando o tarefismo doméstico não os afoga, muitos procuram pessoas afastadas, ou geograficamente ou pela falta de tempo ou pelo desacerto afetivo, fazendo as pazes, buscando proximidade, reformando vínculos de amizade. Houve uma chuva de produtividade, e também reencontros com amores antigos via virtual, ou novos relacionamentos acontecendo de outra forma, mas mexendo com as emoções, como sempre foi.

Já transcorreu meio ano. Os humanos estão ganhando experiência para suportar e vencer este que é o maior desafio da humanidade. Que possam se graduar em luta ativa contra o coronavírus e domá-lo, assim como superar desafios pessoais. 

Divergências ideológicas não são o fim do mundo. O fim do mundo é a falta de amor.

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