Atravessadores: parasitas ou facilitadores?

Frida e Pagu / 09/08/2021 - 22h39

Quem produz não lida com quem compra. No setor de serviços, isso acontece, porém, quem oferece seu trabalho pode ter dificuldade em dizer o valor, receando ser desmerecido. O comprador de serviço quer pechinchar até a última gota. Dar o preço de um produto é mais fácil por ter menor margem de negociação.

Em quase todas as áreas há a figura do atravessador, desde o pequeno traficante de drogas até o presidente de um banco. Temos o cambista no mercado ilegal de ingressos, os ágios em automóveis desejados, impondo a lei de mercado: a escassez é o problema fundamental da economia.

Há transações tão complexas, e com tal burocracia, que alimentam o negócio de atravessadores. Eles sabem como resolver rápido, de forma aparentemente fácil, ampliando os gastos do proponente que, depois de passar por entraves, opta por contratar um despachante de documentos de carros, por exemplo, que, num estalo de dedos, destrava o problema.

O corretor de imóveis, aparentemente pouco materializa, mas apresenta vendedor a comprador, locador a locatário. Sua presença simplifica os atos. É preciso haver agilidade e conhecimento do mercado. Com o vendedor de carros usados acontece o mesmo.

O produtor rural sofre por ter gênero perecível e com curto prazo de validade. É preciso colocar, de imediato, o alimento no mercado. Então surge o atravessador que não plantou e não colheu, e lucra mais do que quem labutou de sol a sol. Com grande volume de produtos chega até as grandes redes, coisa inacessível ao pequeno produtor.

O serviço médico criou suas cooperativas para cobrar dos planos de saúde e pagar os profissionais. Todos credenciados compram isso, retirando dos seus ganhos para manter o sistema funcionando.

As entidades de classe também exercem seu papel, da mesma forma que os sindicatos.

O mercado livreiro tem as editoras no centro da produção para além da criação intelectual. Como conhecedoras do leitor, sabem colocar o produto no mercado e aumentar suas vendas.

Os marchands descobrem novos talentos nas artes e sabem crescer o valor das obras. O preço de cada coisa depende de alguém pagar o que foi cobrado. A partir desse momento, passa a valer.

Cada intermediário tem um custo. Dito isso, o que você escolhe? Quebrar a cabeça, chatear-se, perder tempo ou pagar a um atravessador?

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