Aprender a ler

Frida e Pagu / 03/11/2020 - 23h58

Na Cartilha O Livro de Lili, de Anita Fonseca – 1956 havia em sua primeira lição: Lili/ Olhem para mim/ eu me chamo Lili/ eu comi muito doce/ eu gosto tanto de doce. Nela aprendi a ler. No Colégio Imaculada Conceição, onde fui alfabetizada, repetíamos exaustivamente, e esse ato trazia luz para decifrar os sinais.

Meu irmão Helder com oito e eu com sete anos aprendemos a ler juntos.  Bem antes, nas revistas em quadrinhos, começamos a ter ideia de como aqueles símbolos gráficos funcionavam, através dos balões apontados por nossa mãe Milena. Eram as falas dos personagens que nos contavam histórias. Foi uma linda maneira de ela nos ensinar o gosto pela leitura.

No último dia de aula do pré-primário, minha professora pediu para eu ler, e tive dificuldade, mas, nas férias descobri, e voltei lendo tudo.

Segundo o artigo de Stela Maris Bortoni e Vera Aparecida de Lucas, “aprender a ler e a escrever é um processo complexo. Exige a realização de multitarefas mentais, psicológicas, linguísticas e motoras, que envolvem memória, atenção, discriminação visual e coordenação”.

Vi este momento iluminado acontecer com minha irmã Carla, perto dos sete anos. Estávamos no Pentáurea Clube, no carro, esperando a família. Ela pegou o Manual do Proprietário e começou a folheá-lo. De repente, leu em voz alta: car-ro. Compreendendo o ocorrido, deu-lhe um estalo e falou: Ler é assim? Então eu sei ler!

A cada dia as crianças leem mais cedo. Antes, a alfabetização se dava depois dos sete anos, passou para seis e hoje é comum crianças lerem com menos de cinco anos devido ao estímulo precoce. Meu filho Fernando leu “Montes Claros” aos três anos e cinco meses, sem ensinamentos para isso.

A interpretação de texto não é automática ao ato de ler. E há quem leia e não entenda, havendo uma dissociação dos sons com o significado. O gosto em ler vem com o hábito e quanto mais cedo for estimulada a leitura por prazer, melhor. Instalado esse costume, não existe texto longo nem livro grosso.

Adultos sabedores da importância de ler e que decidam serem leitores, conseguirão sê-los, porém, a leitura não será prioridade de lazer. É preciso o professor mostrar as viagens mentais e a satisfação advindas da leitura, para formar bons leitores.

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