Vida e obra de Murilo Mendes

Pilar Literário / 11/06/2021 - 00h02

Murilo Monteiro Mendes foi um poeta brasileiro do segundo tempo modernista nascido em Juiz de Fora em 13 de maio de 1901. Estudou poesia e literatura; colaborou com o Jornal Tarde de Juiz de Fora, produzindo artigos para a Coluna Chronica Mundana, com a assinatura MMM e depois com o pseudônimo “De Medinacelli”.

Foi um dos principais representantes de poesia religiosa cultivada na segunda geração do modernismo com a publicação de “Tempo e Eternidade”, onde ele registra a interferência do elemento religiosidade, fruto de sua adesão ao catolicismo.

Marisa Timponi Pereira Rodrigues, professora, escritora e pesquisadora da obra de Murilo Mendes, busca em “Homero Senna”, na apresentação das grandes entrevistas, uma entrevista com Murilo Mendes. E assim ela se expressa:

“Ainda aproveito a oportunidade, da citada entrevista, para mostrar vida ativa de nosso poeta, plena de grandes influências e grandes reflexões, quando Murilo responde:

- Homero Senna: E dos autores, houve algum que o impressionasse mais fundamente?

- Murilo Mendes: Na adolescência, os que li com maior sofreguidão e marcaram mais minha formação foram Victor Hugo, Baudelaire e Apollinaire. Mais tarde os super-realistas vieram a ter sobre mim grande influência. Depois da minha conversão ao catolicismo, passei a me interessar, sobretudo, pela obra dos filósofos e pensadores, e, destes, principalmente Platão, Pascal, Kierkegaard e Novalis hão de ter influído em meu espírito. Sem falar no Novo Testamento, que é a minha leitura predileta. Mas não estaria sendo exato se neste capítulo falasse apenas de pessoas e livros, quando houve muitos outros fatores que tiveram sobre minha formação uma influência poderosíssima e decisiva. Estão neste caso a música, para a qual desde criança me senti extraordinariamente atraído, o cinema, de que sou contemporâneo e que em determinada época muito me apaixonou, e a pintura, que também sempre me seduziu. Infelizmente não temos ainda instrumentos críticos poderosos para precisar até que ponto as outras artes exercem influência 
sobre a formação de um poeta. Mas a verdade é que me sinto em grande escala devedor da música, do cinema e da pintura. Dos músicos, devo destacar Mozart, de quem descubro sinais até mesmo no aperfeiçoamento do meu caráter, e que poliu certas arestas do meu temperamento. Pelo cinema me apaixonei de tal maneira que o estudei a sério, durante longo tempo, chegando, mesmo, a escrever um livro sobre o assunto, livro que queimei logo depois de terminado. E sou o primeiro a reconhecer que o meu volume de estreia, Poemas, foi feito em grande parte sob o signo da pintura. 

Mas vale recordar, que nossa conferência dessa noite faz parte do I Curso de Literatura de Juiz de Fora da AJL, onde pudemos saudar e apresentar muitos poetas ligados à AJL e hoje, neste nono encontro, faço minha apresentação sobre Murilo Mendes como mais uma das ações propostas pela AJL, em conjunto com a pesquisa História Literária de Juiz de Fora, desenvolvida por mim e pela Leila Barbosa, neste curso assumido e presidido pela presidência e demais acadêmicos da AJL, coordenado por mim. 

Destaco hoje meu papel de pesquisadora da obra de Murilo Mendes desde a década de 70, trazendo cartas da viúva Maria da Saudade e de seu cunhado Paulo Torres, de ação definitiva para a transferência para o Brasil do acervo pictórico coletado por Murilo Mendes.

Com esse pouco que o espaço nos permite que tenhamos sido motivados a continuar por nós mesmos conhecermos mais sobre a tão rica obra da sumidade que foi Murilo Mendes. Parabéns à pesquisadora Marisa Timponi! É esse o trabalho do pesquisador, despertar o interesse pela vida dos grandes personagens, que fazem nossa história.

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