Vida e obra de João Correa Barbosa Júnior

Pilar Literário / 30/04/2021 - 00h26

Vida pautada de santa beleza: amor a Deus, à família e ao próximo. Foi assim a vida de seu João Correa Barbosa Júnior. Foi um homem resoluto, sempre procurando adaptar-se ao que fosse melhor para ele, para a família, como mudar de um lugar para outro sempre buscando o melhor. Desenvolveu um trabalho social liderando campanhas pelos necessitados, na defesa da saúde; esclarecendo a população a respeito da hanseníase (lepra) e da tuberculose; parece-me um homem apaixonado pela educação, pois combatia os impostos exorbitantes, que não eram empregados na mesma.

Sua neta, atual presidente da Academia Juiz-forana de Letras, tece uma urdidura poética sobra a sua obra. Sua abordagem é impregnada de emoção e sensibilidade, sem os quais não se alcança o intelecto. E isso Cecy o fez com honra e reverência e segue abaixo o seu precioso relato:

João Corrêa Barbosa Júnior nasceu em Rodeiro, Minas Gerais. Seus pais eram agricultores e acostumaram os oito filhos ao trabalho árduo. Os meninos trabalhavam na lavoura, exceto João, que com saúde frágil e problemas pulmonares escapou da terra, mas teve que ser candeeiro.

No momento adequado, os meninos era encaminhados ao Caraça, famoso seminário, a fim de continuar os estudos, João, depois do Caraça, foi para Ouro Preto e, de lá, para a Escola Militar, na qual não se adaptou, preferindo a vida civil. Na Escola de Medicina do Rio de Janeiro fez o curso de Farmácia, graduando-se em 1902.

Em 27 de abril de 1904, casa-se com Maria Cardoso Duarte, a eterna musa, a quem chamava de “Mon étoile”. Vivem em Rodeiro até 1918, ocasião em que decidem-se a mudar para Juiz de Fora, onde o farmacêutico dirige a Farmácia Corrêa, até 1939, ano de sua morte.

Maria morre aos 42 anos e João tem uma vida difícil cuidando de oito filhos. Leciona na Academia de Comércio e na Faculdade de Farmácia, na qual o livro de sua autoria – “Elementos de Química Toxicológica” – é adotado. Continuou escrevendo em jornais de Juiz de Fora, Ubá e Itaperuna, publicando prosa e poesia. No centenário de Ubá, em 1957, foi homenageado como um dos dez melhores jornalistas do centenário.

Nunca organizou seus escritos e, com muita dificuldade, eu, sua neta, consegui organizar parte de sua obra poética, atualizando a ortografia de seus poemas, mas publicando-os da forma que estavam: alguns sem data, alguns com indicação do lugar onde foram escritos e outros não, vários deles sem título. Preferi não interferir e publiquei-os como estavam.

Quanto à obra em prosa, ainda não consegui organizar adequadamente para uma publicação em livro. Observando amarelecidos pedaços de jornal, mal cortados ou toscamente rasgados vejo-me sem datas e sem, às vezes, nem saber de que cidade é o jornal. 

Mas é possível verificar seu espírito poético, a ousadia da crítica e a firmeza de suas opiniões pois ele não hesitava em externá-las mesmo que diretamente atingindo pessoas e políticos influentes no seu tempo. 

A franqueza e a coragem na luta pelo que acreditava e a generosidade com que cuidava dos clientes da Farmácia Corrêa fizeram dele uma pessoa muito admirada pela comunidade juiz-forana e pelos seus familiares.

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