Vale do Jequitinhonha: ‘pobreza’ em meio à riqueza

Pilar Literário / 26/03/2021 - 00h01
Os ocidentais somos um povo voltado muito para o ter e nos esquecemos do ser. Consideramos riqueza o possuir, os bens materiais, o luxo, a ostentação, o desperdício, a luxúria e nos esquecemos de dirigir o nosso olhar ao belo, ao perene, ao que fica quando tudo o mais acaba. 
 
Eu ouvia falar do Vale do Jequitinhonha como um lugar de pobreza extrema. Por outro lado, eu ouvia também de lá sobre uma cultura austera e prodigiosa. Concluí, observando o seu povo, que a coragem, a inteligência e a sabedoria o caracterizava. Para que maior riqueza do que estas?
 
Muitas vezes, rotulamos certos lugares e então geramos uma opinião sobre eles, que se torna um preconceito irrefletido. Por isso faz-se necessário até onde tivermos oportunidade conhecê-los para defendê-los.
 
O nosso Brasil é gigante. O número de regiões ainda não visitadas por turistas é muito grande. Um bom exemplo é o Vale do Jequitinhonha, localizado no Norte de Minas Gerais. 
 
É considerado um dos mais pobres do Brasil, para quem desconhece a hospitalidade e suas belezas naturais. Que riqueza extraordinária!
 
A história do Vale do Jequitinhonha é muito interessante já que, inicialmente, a região pertencia ao Estado da Bahia, sendo incorporado a Minas Gerais após a descoberta de diamantes na região de Diamantina.
 
As belezas naturais são de encher os olhos, já que o Vale é banhado pelo rio Jequitinhonha e seus afluentes, o que faz com que exiba uma natureza simples e exuberante ao mesmo tempo. É uma região maravilhosa, onde podemos muito aprender. Ali, a literatura é um riqueza extraordinária!
 
O dia 18 de março de 2019 foi mais um passo e grande marco para a literatura Valina. A cidade de Jequitinhonha recebeu o III Encontro dos Poetas e Escritores do Vale do Jequitinhonha. O Vale teve fragrância de poesia. 
 
Num remexer literário de encontros de poetas em Itinga e Felisburgo nasceram as primeiras iniciativas, como a Antologia Poética do Vale do Jequitinhonha, que criou um panorama de ações e trocas de propostas para alimentar a poesia e o espírito de coletividade.
 
Cláudio Bento, poeta e idealizador do movimento Literatura Avante, assim escreveu: 
 
“’’’’ O Encontro de Poetas e Escritores do Vale do Jequitinhonha agrega valores, estreita laços, planta a semente e logo adiante já está colhendo os frutos na imensa produção literária”. 
 
Bem escreveu Rubinho do Vale, o ícone da música popular do Brasil, filho do Vale do Jequitinhonha, fiel representante de sua terra:
 
“Tô me sentindo como um canarinho
Eu tô pensando em minha violeta, êta
O som da cachoeira me levando
As águas desse rio me acalmando...”
É dessa riqueza que estamos carentes e, destas, o Vale do Jequitinhonha pode ensoberbecer-se.
Vale do Jequitinhonha: ‘pobreza’ em meio à riqueza
 
 
 
 
 
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