Por uma consciência de gratidão

Pilar Literário / 10/12/2021 - 00h01

​Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luiz do Maranhão em março de 1822. A mãe, Leonor Felippe dos Reis, foi uma escrava alforriada. O pai, João Pedro Esteves, um homem de posses, sócio do comendador Caetano José Teixeira, a quem a mãe de Maria Firmina servia.

Aos 5 anos tornou-se órfã e mudou-se para a cidade de Guimarães, no interior do Maranhão, para viver na casa da tia materna. Lá, formou-se professora e, aos 25 anos, foi aprovada em um concurso público para lecionar Primeiras Letras.

Foi professora, poeta, compositora e colaboradora de jornais no Maranhão, numa época em que a educação feminina era restrita aos cuidados com a casa e com a família.

Como educadora, formou uma escola mista (para meninos e meninas) no Maranhão, a primeira do Estado e uma das primeiras no país no início da década de 1880. Escritora negra considerada a primeira romancista brasileira.

Algumas de suas obras são: A Escrava, Úrsula, Cantos à Beira Mar, Conto: Hino de Libertação dos Escravos, Parnaso Maranhense: coletânea de poemas junto com outros autores.

O romance Úrsula, principal obra de Maria Firmina, foi publicado em 1859. A história conta com protagonistas brancos, mas, pela primeira vez na literatura brasileira, personagens negros têm voz. 

A obra é precursora da temática abolicionista na literatura do país. O romance é considerado, ainda, o primeiro gênero a ser publicado por uma mulher negra em todos os países de língua portuguesa. Romance original brasileiro, foi uma obra esquecida por décadas, recuperada em 1962 pelo historiador paraibano Horácio de Almeida (Revista Cult).

Maria Firmina denunciou a condição crítica e o cenário de desigualdade vivido pelos escravizados e pelas mulheres no século XIX. A condição da mulher na sociedade da época pode ser observada já no prólogo do romance, assinado com o pseudônimo: Uma Maranhense.

“Sei que pouco vale esse romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira de educação acanhada e sem o trato e a conversação dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem, mas sem o devido conhecimento de valores...”.

O Navio Negreiro (1870), de Castro Alves, e a Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães, obras amplamente conhecidas no Brasil, foram publicadas anos depois do romance de Firmina.

Morreu aos 95 anos, no município de Guimarães (MA). Em sua homenagem, no dia 11 de março, é comemorado o Dia da Mulher Maranhense. 

Uma mulher que passou pelo que passou e chegou onde chegou, quero crer que tenhamos que lutar por uma consciência de gratidão pelo exemplo deixado para todas nós como sinal de liberdade, de fé, de ousadia e de igualdade para todos.

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