O antigo Mercado Municipal de Montes Claros

Pilar Literário / 20/11/2020 - 00h01

Muitas de nossas cidades no Norte de Minas tiveram a sua origem de um ponto de pouso para o descanso das tropas. Geralmente, era nestes pontos de pouso que surgiam os primeiros aglomerados de negociantes (os mascates), criando em algum lugar sombreado um tablado coberto de palhas, que logo depois era transformado num gigante barracão de feira. E o barracão de feira trazia pessoas de outros lugares, e, em pouco tempo, formava ali um pequeno povoado.

O tropeiro, sem dúvida, era a figura mais importante da época da colonização. Ali, estabelecia-se o comércio de secos e molhados dentro do barracão de feira. Com o comércio em ascensão, criava-se uma Casa de Oração, que depois os fiéis a transformavam em Capela.

Essa Capela sempre tinha como padroeira o santo de devoção de um habitante importante do lugar, ou então, a data festiva mais popular da religiosidade do povo.

O pouso dos tropeiros, de povoado, passava-se a Vila em virtude do Mercado, da Igreja, da Cadeia e do Cartório Civil. O Povoado de Montes Claros das Formigas em nada foi diferente dos demais povoados brasileiros. Quando ainda era Vila de Formigas, ela já tinha o seu mercado e uma feira livre, que agregavam pessoas de vários lugares do Norte de Minas. (Dário Cotrim, IHGMC).

O antigo Mercado Municipal de Montes Claros teve sua construção iniciada a 3 de setembro de 1899; foi construído ali onde hoje se encontra o Shopping Popular Marão Ribeiro. Ali havia um comércio com muita variedade e muita riqueza oriunda de nossa região. Havia o Comércio Interno (dentro do mercado) e o Comércio Externo (pelo lado de fora das dependências do mesmo).

Ali havia muitos comerciantes, como Seu Jason do Caldo de Cana; Seu José Benício, no seu armazém; Seu Jonas Alves Almeida, com variedades em guloseimas; Seu Paulinho Leite com sua sorveteria, que era a nossa alegria de criança (foi a primeira sorveteria de Montes Claros); Seu Pedro Granadeiro com o seu café delicioso; Seu Nozinho, com uma farofa deliciosa e tinha também o Café Brazil de Juvenal de Souza Campos, meu saudoso pai.

Ali distinguia-se o tira-gosto de dobradinha, que aguçava o apetite dos tropeiros, que vinham de longe trazendo suas mercadorias. Ali eu passei parte de minha infância trabalhando com meu pai, aprendendo Matemática e a lidar com as pessoas.

O Mercado Municipal de Montes Claros tinha o condão de atrair grandes e pequenos no seu reduto amplo, onde acolhia a todos. Era uma casa enorme, alta muito alta, onde uma torre ostentava um relógio, que nos fornecia o horário; madeira de lei gigantescas e enormes emolduravam aquele barracão.

Foi ali que se desenrolou a minha história infantil. Um dia, eu vi o Mercado Municipal de Montes Claros sendo demolido; foi na década de sessenta, mais precisamente 1967 -1968.

Muitos lamentavam. –Mas sabe o porquê da demolição? Aquela madeira pesada estava ameaçando a vida dos que por ali transitavam e/ou trabalhavam. Estava prestes a acontecer ali um acidente, em que muita vidas seriam ceifadas, com aquele telhado desmoronando sobre nós que ali convivíamos. 

Quanto à história, ela não morreu com a queda daquela casa, porque ela continua viva na vida daqueles que ali conviveram, viram e acompanharam cada personagem, cada fato, cada momento num espaço que ainda está ali para que a história ressurja da vida dos que ali conviveram.

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