O amor na literatura de terror

Pilar Literário / 03/12/2021 - 00h15

Nunca fui afeiçoada a filmes ou literatura de terror; não me comovia, nem me incentivava para assistir, ouvir ou ler. Tornei-me professora e sempre fui uma incentivadora da leitura. No meu tempo de criança não havia bibliotecas como hoje, nem mesmo na escola; e eu fiz o Curso Primário numa conceituada escoa estadual: Grupo Escolar Doutor Carlos Versiani, da qual eu muito me orgulho, até agora. A nossa biblioteca era itinerante. Nós trocávamos livros uns com os outros. E era assim que líamos! 

Quando fiz o vestibular, em 1977, lembro-me de dois livros exigidos no mesmo: “Lucíola”, de José de Alencar (eu amava), e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. O último foi emprestado e, os outros, parece-me que mais dois, foram resumos.

No Ciclo de Palestras “O Amor na Literatura Universal”, da AJL Juiz de Fora, proposta gloriosa no mundo literário apareceu lá, entre outros “O Amor Na Literatura De Terror”.

- Assisto ou não assisto? Resolvi que iria assistir. Afinal, o médico, professor e escritor Artur Laizo iria proferir a palestra. E com um conhecimento que é uma sumidade e cheio de encantamento pela referida literatura despertou-me a curiosidade. Então, entrei na sala para acompanhar algo que sempre me causou medo, pânico.

À medida em que ele ia discorrendo sobre a literatura de terror, eu cá do outro lado entre arrepios e calafrios fui ouvindo e, aos poucos, fui me relaxando. Acompanhando a palestra cheguei a me imaginar amando o terror. Como? Não me encontrei. 

O preconceito, o julgamento antecipado, tiram de nós muitas oportunidades, muitos valores até. Muitas oportunidades que poderiam nos acrescentar conhecimentos, concedendo-nos uma riqueza sem precedentes tornando-nos pobres de espírito, pobres da opulência literária para nos agarrarmos à ideia de que não é bom, não acrescenta, não soma, não enriquece. 

Hoje, como literata, eu imagino um leitor que se achegar a mim querendo o meu parecer sobre a literatura de terror. Eu preciso saber alguma coisa para passar para o leitor. Precisamos trocar ideias. 

E ouvindo a palestra do Laizo vieram-me à mente: por que tanta distância e medo da literatura de terror se nós vivemos num mundo cujo anfiteatro exibe no seu palco cenas de terror as mais diversas, o tempo todo, com todos os seres vivos? : assassinatos, acidentes, incêndios nas matas destruindo a flora e a fauna.

Interessante que na literatura de terror o suspense, a curiosidade, o espanto e a imprevisibilidade levam o leitor a se envolver com mais facilidade, ensinando-lhe a lidar com os terrores que a vida nos impõe.

E há em nossas vidas terrores muito mais amedrontadores do que os da literatura ou dos filmes que são assistidos.

Obrigada, Laizo! Hoje eu estou consciente de que, como literata, como intelectual das letras, preciso inteirar-me do que vai no mundo da literatura em todos os seus gêneros.

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