O amor como herança na trova

Pilar Literário / 05/11/2021 - 00h03

Sou encantada com a trova. É uma literatura que requer muita arte. Eu costumo dizer que é uma literatura muito matemática, muito exata e de uma precisão indiscutível. Quem conhece bem as características da trova vai ouvi-la acompanhando com os dedos das mãos ou com os pés o ritmo que ela impõe.

Arlindo Tadeu Hangen, um grande e exímio trovador, herdou do tio Célio Belmiro Grunewald, um trovador por excelência, a graça de compor trovas. E ele o faz com espontaneidade e nobreza, honrando a herança deixada pelo tio. São dele as palavras que se seguem.

“Trova é uma composição poética de quatro versos setessilábicos, rimando o primeiro com o terceiro e o segundo com o quarto. Além disto deve ter sentido completo. No Brasil, a trova é cultuada, divulgada e estudada pela União Brasileira de Trovadores (UBT), entidade que, em 21 de agosto, completou 55 anos de existência e que, atualmente, eu tenho a honra de presidir, como vice-presidente em exercício.

Entre as principais formas de divulgação feitas pela UBT estão os Concursos de Trovas, denominados Jogos Florais. A primeira cidade a realizá-los foi Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, graças ao trabalho dos poetas trovadores Luiz Otávio e J.G. de Araújo Jorge.

Numa das praças principais de Nova Friburgo – a bucólica Praça do Suspiro –, existe uma fonte de água com três bicas, nominadas Amor, Saudade e Ciúme. Pois estes foram os três primeiros temas dos Jogos Florais de Nova Friburgo.

Portanto, o “Amor” foi o primeiro tema de Jogos Florais no Brasil. Em 1984, para comemorar o seu Jubileu de Prata, os Jogos Florais de Nova Friburgo repetiram o tema “Amor” no Concurso Nacional. E foram contemplados alguns vencedores. O tema “Amor” é recorrente e volta e meia surge um concurso com este tema que não se esgota.

Tanto assim que um dos raros livros de trova vendidos nacionalmente em livrarias e até em bancas de jornal teve por título “Mil Trovas de Amor e Saudade”. Coletânea organizada pelos trovadores P. de Petrus e Noel Bergamini, a pedido da Editora Ediouro, na década de 1980.

No feriadão de 7 de setembro de 1960, realizou-se um Congresso de Trovadores em São Paulo. Um dos itens da pauta era a eleição da Família Real da Trova. Eleito Rei da Trova, Luiz Otávio abdicou em favor de Adelmar Tavares e aceitou o título de Príncipe dos Trovadores, sugerindo o nome de Lilinha Fernandes para Rainha dos Trovadores.

No último dia 21 de agosto, durante a live comemorativa dos 55 anos de fundação da UBT, foi outorgado o título de Princesa dos Trovadores à trovadora Carolina Ramos que, aos 97 anos de idade, continua em plena atividade, tendo lançado um livro neste ano e com mais dois no prelo.

O nosso Príncipe dos Trovadores Luiz Otávio, criador da UBT e dos Jogos Florais no Brasil, é o autor do Hino dos Trovadores, além de uma coletânea riquíssima de trovas”.

Gratificante ter esse grande trovador, Arlindo Hangen, como mais um dos diamantes garimpado das jazidas de Minas Gerais.

 

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