Grata, mui grata, Tatá Rebello

Pilar Literário / 27/11/2020 - 00h02

Tive a subida honra e a felicidade de trabalhar com ela e Jaiminho, o seu irmão, ali na Casa Colombo, na rua Governador Valadares, nº 109. Foram os pais que não tive em Montes Claros, onde estudava fazendo o curso de Magistério. Tatá era uma mulher elegante: de finos dotes, discreta, muito prudente e que se esmerava pelo correto. Teve sabedoria para lidar com as situações as mais diversas. Enfrentava tudo sem alarde, mas todos compreendíamos a mensagem de seu olhar. Lidava com os empregados com humanidade, pois foram excelentes patrões; socorriam-nos em toda situação difícil e nos faziam lutar e buscar um futuro promissor.
Ali, eu aprendi muitas lições com Tatá, a mestre por excelência. Seu material didático era a atitude, o desvelo, a verdade e o comprometimento. Dona de um sorriso largo e bonito e portadora de sinceridade. Sabia manter-se séria, calada, até que se descobrisse o que fosse direito.

Com ela eu aprendi a discrição, a beleza do sucesso sem holofotes, a alegria do trabalho dedicado, a comemoração quando tudo dava certo. Mas aprendi também que não nos limitamos à situação de comodismo. Ela podia dar-se ao luxo de não trabalhar. Foi rica!

Descendente de uma família que se distinguia pelo poder aquisitivo, mas trabalhava duro, todos eles. Trabalhavam junto aos empregados como se fôssemos colegas. E como eram precisos! Enquanto alguns pagavam uma ajuda de custo e uma pequena porcentagem sobre o que vendiam e que no final do mês não cobriam 2/3 do salário mínimo, eles pagavam o salário mínimo integral com todas as obrigações sociais, décimo terceiro, férias e, no final do ano, recebíamos presentes, todos iguais para que ninguém ficasse triste ou enciumado.

Tinha vários sobrinhos! E como os amava com deferência e cuidado! Era a tia por excelência! Conhecia bem a cada um. Foi a madrona, a maestrina da família: aconselhava e admoestava fosse preciso. Tatá foi uma espécie de Cartilha, a que todos tinham acesso. E aquela Cartilha vai fazer muita falta, especialmente num mundo onde imperam a vaidade, a mentira, as discórdias, o preconceito...Que pena!!! 

Quem aprendeu, aprendeu, e quem não aprendeu ainda poderá aprender através da história. Descanse em paz, Maria Clara! À família enlutada o meu pesar!Foi uma grande perda. A morte é uma experiência intrusa na existência humana, pois fomos criados com vocação de vida. Entretanto, por doloroso que seja o momento, a melhor hora para morrer é quando Deus permite que morramos.

“Mas Ele há de vir para julgar os vivos e os mortos. Ele há de vir para ressuscitar os Seus da sepultura: “Senhor, quem entrará no Santuário pra te louvar: quem tem as mãos limpas e o coração puro, não seja vaidoso e saiba amar...

Grata, mui grata, Tatá!

 


Tatá foi uma espécie de Cartilha, a que todos tinham acesso. E aquela Cartilha vai fazer muita falta, especialmente num mundo onde imperam a vaidade, a mentira, as discórdias, o preconceito...Que pena!!!

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