E a violência silenciosa...

Pilar Literário / 21/08/2020 - 00h01

A posição da mulher no lar, na sociedade e perante a lei é considerada como um excelente parâmetro, pelo qual se pode avaliar o grau de progresso de qualquer povo ou nação. “Não há coisa que demonstre de maneira mais evidente e decisiva o caráter de um homem ou de uma comunidade do que a maneira pela qual são tratadas as mulheres” (Joahann G. Herder)

A mulher israelita negava-se mesmo o direito de cultuar a Deus, em diferentes ocasiões. Assim, o “átrio das mulheres” no templo, em Jerusalém, era o mais distante do centro do santuário. Entre alguns povos pagãos, a mulher é chamada “filha da dor”, e o termo é muito bem aplicado. Um missionário, citado pelo dr. Paul Holdcraft, afirma que inúmeras mulheres, em países orientais, lhe solicitavam uma droga que lhes abreviasse a vida terrena, pondo fim à sua miséria!

E vamos considerar que isso se deu há muitos anos atrás, mas que hoje é diferente? Não. Não tem nada diferente! Algumas mulheres alcançaram certa liberdade, mas isso não é conquista de todas e, mesmo para as que conseguiram, é uma liberdade que ainda deixa a desejar. Vivemos aterrorizadas pelos acontecimentos que ocorrem ao nosso redor: ainda no decorrer da semana que ora se finda ouvimos de uma criança com 10 anos de idade grávida, violentada pelo tio desde os 6 anos, e ele era o seu tutor. É um absurdo? Sim! É um absurdo!

Mas não alcançaremos os devidos e bons resultados se não começarmos de nós mesmos. Comecemos em nosso lar. Quais são as violências que são praticadas dentro das paredes que circundam nossos lares? Consideramos violência o matar fisicamente, o molestar e o agredir fisicamente, mas nós nos esquecemos de que a violência não é só física, mas psíquica, emocional, moral, mental e espiritual. E essa violência pode vir sob forma de gracejos, piadas, assim tão inocentes, mas que deixam marcas, sufocam e até matam. 

Certo esposo costumava denegrir a esposa nas reuniões familiares, mas onde também se encontravam amigos. Era ela uma mulher bonita, bem vistosa, vestia-se bem; chamava a atenção das pessoas. Ele a denegria dizendo que ela era bonita, mas que era burra. A princípio, ela ria junto com os demais, até que um dia, já não suportando aqueles insultos, ela disse: “Deus me fez bonita para você me escolher, e me fez burra para eu escolher você”. Aquilo foi a gota d’água para quem já não suportava mais tanto descaso.

É tempo de paz, tempo de sabermos conviver em amor, porque os dias passam velozmente e nós voamos.

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