A força da mulher mineira numa cidade arrojada

Pilar Literário / 29/01/2021 - 00h01

Minas Gerais é um Estado depositário de algumas cidades históricas, cheias de fatos e personagens prodigiosos. Diamantina, por exemplo, é uma cidade histórica, de uma riqueza cultural incontestável. Ali, pode-se desfrutar de momentos enriquecedores ao som da vesperata com os músicos (cantores e tocadores) se apresentando das janelas dos sobrados enquanto se delicia da comida mineira.

Ali se encontra a Casa de Juscelino Kubitschek, onde ele nasceu e morou com a família, e se transformou em um museu histórico, com uma rica exposição dos apetrechos médicos do ex-presidente. Muito emocionante entrar naquela casa e ouvir a música seresteira e ler os escritos de falas de sua mãe aconselhando-o na sua meninice e fase adulta.

Foi ali que nasceu um menino de família humilde, bem criado, que transformou os destinos de Minas Gerais, onde foi governador de 1951 a 1955 e, depois, presidente da República Federativa do Brasil de 1956 a 1961, com propostas ousadas, como a construção de Brasília (DF) e o Plano de Metas com o slogan: “Cinquenta anos em Cinco”.

Diamantina, como quase todas as cidades de Minas, foi fundada por bandeirantes, que aqui vinham em busca de ouro e de pedras preciosas. Seu primeiro nome era Tejuco, o arraial de maior movimento naquela época. Foi elevada a vila em 1831, com o nome de Diamantina por terem sido descobertos ali os primeiros diamantes.

Nenhuma outra cidade de Minas Gerais teve vida semelhante à de Diamantina. Foi o lugar de maior luxo de toda a Capitania, mas também foi o povo que sofreu sob os rigores das leis que vinham de Portugal.

Ainda é ativa no município de Diamantina a exploração de diamantes e ouro. Naquela época, um contratador de diamantes, João Fernandes de Oliveira, uma das pessoas mais ricas à época no Arraial de Tejuco, atual Diamantina, conheceu e se encantou com Francisca da Silva, filha de um relacionamento extraconjugal do português Antônio Caetano de Sá e da escrava Maria da Costa.

João Fernandes, contratador de diamantes, alforriou a Francisca da Silva, que se tornou a Chica da Silva e amante de seu libertador, desfrutando do imenso poder e riqueza dele. Chica da Silva deu uma guinada em sua vida e acabou por receber o apelido de “Chica que manda”.

João Fernandes de Oliveira satisfazia os mínimos desejos da Chica e ela passou a viver em pleno luxo. Ela nasceu em Diamantina, município de Serro. Promovia festas em sua casa e patrocinava as igrejas locais. A primeira vez em que a sua história transpôs o horizonte de Minas Gerais foi com o lançamento do livro “Memórias do Distrito Diamantino”, escrito pelo advogado Joaquim Felício dos Santos, mais de meio século após a morte da ex-escrava.

A partir dos anos 30, quando o barroco no Brasil passou a ser revalorizado, a figura de Chica da Silva é embelezada. E nos anos 60, com a publicação do romance de Alípio de Melo, Chica da Silva é retratada como a mulher que vinga a escravidão.

“Oh Minas Gerais...” Suas mulheres mineiras faz-lhe ainda mais lembrado! Como esquecer?

 

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