Xeque-mate

Editorial / 18/11/2021 - 00h03

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP26) não trouxe, é fato, todos os resultados esperados. Além disso, muitos dos acordos fechados são para daqui algum tempo. O hoje não foi levado em conta por aqueles que se sentaram à mesa para negociações. Mas é fato que as discussões durante o encontro já repercutem e estão começando a trazer consequências.

Para o Brasil, a principal delas é o fato de que a União Europeia e, ainda, China e Estados Unidos decidiram criar estratégias para colaborar de forma efetiva para a eliminação do desmatamento ilegal global. China e Estados Unidos, que vivem em “pé de guerra”, dessa vez fizeram inclusive anúncio em conjunto sobre a decisão. Sendo os dois os principais parceiros comerciais do Brasil, principalmente com relação à compra de produtos in natura e estando o Brasil na lista de países onde o desmatamento ilegal é crescente, a nova forma de comércio de China e Estados Unidos representa um xeque-mate para o agronegócio brasileiro.

Para que o setor continue alavancando a economia, será necessário acelerar a rastreabilidade da cadeia produtiva em terras tupiniquins, como forma de comprovar que o produto não foi cultivado em áreas que sofreram desmatamento de forma ilegal.

Mais do que consequências para o agronegócio no Brasil, a decisão dos países europeus, em conjunto com China e Estados Unidos, mostra que o cerco contra o desmatamento, onde quer que ele esteja acontecendo, está se fechando. A partir do momento em que a questão deixa de ser apenas ambiental e passa a ser uma questão econômica, certamente providências serão tomadas para coibir o desmatamento ilegal.

Espera-se que as decisões não sejam apenas discursos vazios, construídos para dar uma satisfação à sociedade que estava atenta às jogadas no tabuleiro da COP26. Só assim o desmatamento ilegal será tratado de fato como ilegal e contra ele serão aplicadas leis que façam com que este tipo de ação fique como lição do passado. 

Só assim, a humanidade poderá de fato mais do que respirar aliviada, mas poderá ter a certeza de que continuará em condições de respirar.

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