Vivendo no outro

Editorial / 01/10/2021 - 00h01

Morrer e continuar vivendo. Parece impossível. Mas a campanha “Setembro Verde” é um lembrete de que a doação de órgãos possibilita a quem perdeu a vida, não apenas ajudar outras pessoas a se manterem vivas, mas também permanecer viva nessas pessoas. A campanha é uma forma de conscientizar a sociedade sobre a importância da doação de órgãos. 

Saber que sua vida depende de um simples gesto de outro ser humano não deve ser nada fácil... Mais do que isso, saber que aquele órgão tão necessário para a vida de alguém está simplesmente sendo inutilizado ao ser enterrado. O drama, vivido incontáveis vezes por pessoas que estão em filas à espera de um novo coração, de um rim, de córnea, poderia ser resolvido se as pessoas fossem mais conscientes e solidárias.

A chance de se encontrar um doador é, sem dúvida, a equação mais difícil, e geralmente fica na casa de 1 para 100 mil. Por isso, a campanha “Setembro Verde” é tão importante, pois mostra a necessidade de as pessoas serem solidárias e se declararem doadores.

O ato pode salvar até oito vidas. Esse é o grande poder pós-morte, a inigualável chance de se conseguir salvar a vida de outras muitas pessoas, quando a vida já se foi. É quase uma segunda chance de vida.

Mais do que um ato de generosidade, é um ato de amor à vida! 

Segundo dados da Associação Brasileira de Órgãos (ABTO), no Brasil estima-se que mais de 50 mil pessoas estejam na fila do transplante. E a fila demora a andar, porque a desinformação, o medo, a abordagem incorreta no momento de fragilidade dos familiares são importantes obstáculos para que a família não doe. Aliado ao fato de as pessoas não explicitarem sua vontade, o que acaba por fazer com que a doação não se efetive, perdendo não apenas uma, mas muitas vidas. 

O fato é que, se tivéssemos consciência da importância do ato de doar os órgãos, diante do fato que a necessidade de um transplante pode acontecer para qualquer pessoa e que qualquer um de nós está sujeito a ela, nos tornaríamos todos, sem exceção, doadores, pois assim, mesmo morrendo, estaríamos vivendo em outros.

Publicidade
Publicidade
Comentários