Violência endêmica

Editorial / 08/06/2021 - 00h10

O assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres, conhecido como feminicídio, cresceu de forma assustadora desde que a pandemia de Covid trouxe para o cotidiano dos brasileiros o isolamento social. É o que mostram dados de diversos institutos, organizações governamentais e não-governamentais. Se o feminicídio aumentou, com a triste estatística de 2020, quando cerca de cinco mulheres por dia foram assinadas ou se transformaram em vítimas de violência por parte de seus parceiros, de ex-parceiros e até mesmo de desconhecidos por serem do sexo feminino, a violência contra as mulheres traz números ainda mais brutais. É que mostra recente pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mostra o aumento das agressões a mulheres dentro de casa, provando que a pandemia tem sido extremamente nociva para o gênero feminino.

Dados da pesquisa indicam que uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos sofreu algum tipo de violência desde o início da pandemia, um universo de cerca de 17 milhões ou 24% da população feminina. Mulheres que viveram o último ano sob violência física, psicológica ou sexual praticada não por desconhecidos, mas pelo pai, pelo irmão e até mesmo pela mãe ou pela irmã. Em relação aos dados de 2019, a pesquisa mostra que o número de agressões dentro de casa subiu de 42% para 48,8%. Uma catástrofe, se levarmos em conta que essas mulheres geralmente são dependentes financeiramente dos seus agressores, que deveriam cuidar e não violentá-las. Sem ter para onde ir, muitas delas não têm a quem recorrer, já que os agressores são familiares e, na maioria das vezes, existe uma permissividade de todo o núcleo familiar.

Esperava-se que a lei do feminicídio, criada recentemente, fosse capaz de dar um basta nessa cultura da violência, mas mais uma vez a lei não saiu do papel para promover efeitos reais na vida das mulheres, que seguem alimentando estatísticas que comprovam que existe no Brasil uma violência endêmica contra o gênero feminino. 

Com pandemia ou sem pandemia, os números não recuam... e a pergunta que fica é: quando as mulheres brasileiras poderão finalmente se sentirem livres e seguras?


Em relação aos dados de 2019, a pesquisa mostra que o número de agressões dentro de casa subiu de 42% para 48,8%. Uma catástrofe
 

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