Tripla exclusão

Editorial / 11/04/2018 - 01h17

A população de rua é um dos grandes desafios para as políticas públicas em diversas cidades brasileiras. Uso de álcool e drogas, abandono da família e falta de recursos financeiros são apontados como motivos para que pessoas busquem as ruas como moradia. Proporcionar uma vida mais digna a essa parcela da população exigiria, então, não somente retirá-la da rua e garantir-lhe um teto, mas um trabalho multidisciplinar, envolvendo profissionais não só de assistência social, mas de saúde, além de programas para geração de trabalho e renda. 

Antes de as políticas públicas serem implementadas, no entanto, é necessário conhecer essa população. Basta percorrer as ruas de Montes Claros para ver homens e mulheres vivendo em situação precária debaixo de marquises. Lá eles dormem enfrentando ora chuva, ora o sol escaldante. Perambulam em busca de alimentos, à mercê da boa vontade alheia. Embora a miséria esteja a olhos vistos, ela não faz parte das estatísticas dos órgãos públicos.

A administração municipal não tem um censo para quantificar e qualificar essa população, levantamento considerado o ponto de partida para o desenvolvimento de políticas públicas. O fato foi revelado no Fórum População em Situação de Rua, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais na cidade. A estimativa é a de que existam 400 moradores de rua na cidade, no entanto eles parecem invisíveis aos olhos dos governantes.

Estariam então triplamente excluídos: primeiro pela família, segundo pela sociedade e em terceiro lugar pelo poder público. 

Embora a miséria esteja a olhos vistos, ela não é contabilizada pelos órgãos públicos

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