Sociedade dos decretos mortos

Editorial / 25/02/2021 - 00h00

Enquanto o Congresso vota leis com o objetivo de facilitar a aquisição de vacinas e, assim, acelerar o ritmo da imunização no país, a população fica na esperança de receber a tão esperada dose da liberdade. Diante desse cenário, os municípios, que jamais se estruturam de fato para garantir à população um atendimento eficaz quando infectada, pega o caminho mais fácil, promovem o fechamento das cidades.

O fechamento, já ficou provado em outras ocasiões, ainda mais da forma como tem sido feito em cidades como Montes Claros, não traz uma solução, antes promove um caos ainda maior. A proibição da circulação de pessoas à noite não impede as festas clandestinas, as recepções de casamentos regadas ao descumprimento das regras sanitárias, sem contar as filas quilométricas em bancos, nos pontos de ônibus, dentro dos ônibus que fazem o transporte coletivo. Uma fiscalização eficiente, ampla, hospitais de campanha funcionando de fato, um maior número de ônibus circulando seriam ações infinitamente mais efetivas do que simplesmente o fechamento da cidade durante a noite e madrugada.

É certo que a conscientização da população também é de fundamental importância no cenário e na realidade vigentes, mas certamente o que propõe, por exemplo, o novo decreto em Montes Claros, não traz conscientização, mas apenas a punição para aqueles que estão cumprindo as regras, que estão lutando por sua sobrevivência, como é o caso de bares, restaurantes e, ainda, os músicos que tentam se manter de pé se apresentando de bar em bar.

Se o vírus é cruel, por levar embora as pessoas que amamos, os decretos insanos não ficam distantes, porque promovem o desemprego, que leva a outro tipo de morte, da qual muitas pessoas também nunca mais conseguirão retornar. O vírus é irracional, mas os homens por trás dos decretos, imagina-se que não, por isso, se espera deles mais sensibilidade, mais empatia e, sobretudo, soluções mais inteligentes que possam proteger a população e exterminar o vírus e não o contrário. Esperemos...

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